Bitcoin e risco quântico dividem especialistas
A discussão sobre segurança pós-quântica voltou ao centro do setor após um debate entre Nic Carter e Matt Corallo, dois nomes influentes no ecossistema do Bitcoin. O tema reacendeu preocupações sobre o impacto futuro da computação quântica na proteção das chaves e no funcionamento da rede.
O debate ganhou força quando o pesquisador Kellan Grenier sugeriu que uma grande empresa de custódia criasse, junto à Castle Island, uma equipe dedicada a desenvolver soluções de resistência quântica. Segundo ele, existe um sentimento crescente de urgência que deveria ser tratado por grupos técnicos respeitados. No entanto, Corallo afirmou que desenvolvedores já pesquisam ferramentas de segurança pós-quântica e que o tema não está ignorado.
Debate destaca desafios da segurança pós-quântica
Carter discordou e enfatizou que esforços isolados não superam o maior obstáculo: alcançar consenso social sobre mudanças profundas no protocolo. Além disso, ele lembrou que atualizações relevantes costumam levar quase uma década entre a proposta e a adoção. Assim, em sua visão, é preciso planejar agora para evitar riscos futuros.
Entre os exemplos citados, Carter mencionou a BIP360, uma das poucas propostas públicas sobre o tema. Contudo, ela não reúne apoio amplo e ainda representa apenas um início dentro de um processo longo. Portanto, ele defendeu antecipação, acreditando que a comunidade não pode esperar o avanço da computação quântica para agir. Segundo Carter, uma atualização desse porte exige de cinco a dez anos para ser implementada sem riscos.
Ele acrescentou que corretoras, custodiantes e usuários comuns precisariam atualizar suas chaves dentro de um prazo específico caso a ameaça avançasse de forma repentina. Além disso, destacou que esse cenário criaria forte pressão operacional, reforçando a necessidade de tratar o risco quântico como prioridade imediata.
Visões divergentes sobre progresso técnico
Corallo contestou a alegação de falta de organização. Para ele, instituições como Blockstream Research e Chaincode já trabalham de forma consistente em mecanismos pós-quânticos. Assim, a ausência de campanhas públicas não significa falta de progresso. Ele afirmou que pesquisas, testes e validação de cripto avançada fazem parte do fluxo normal de desenvolvimento.
O debate também retomou discussões ocorridas em 2021 durante a implementação do Taproot. Carter afirmou que preocupações quânticas foram mencionadas e ignoradas naquela época. No entanto, Corallo disse que o pesquisador distorceu o contexto. Na visão dele, o debate anterior tratava apenas de avaliar se o Taproot ampliaria riscos já existentes, e não de negar a ameaça futura.
Carter voltou a destacar que a natureza descentralizada do ecossistema dificulta a fiscalização do progresso. Além disso, ele disse que observadores externos não conseguem identificar claramente quem influencia decisões críticas. Corallo, por outro lado, reforçou que a falta de visibilidade pública não implica desorganização interna.
Um ponto técnico importante também entrou em pauta: a necessidade ou não de migração de chaves por quase todos os usuários. Carter acredita que essa mudança alcançaria a base inteira de usuários. Corallo contestou, dizendo que carteiras derivadas de seedphrases já estariam protegidas, desde que caminhos vulneráveis fossem desativados.
A fundadora da Protocol Watch, Christine D. Kim, comentou que comparações com sistemas mais centralizados são inadequadas. Além disso, ela lembrou que discussões técnicas relevantes continuam ocorrendo nos canais tradicionais, como listas de e-mail e reuniões em IRC.
No momento da troca de argumentos, o Bitcoin era negociado a US$ 76.268.

BTC permanece acima da Fib 1.0 no gráfico semanal. Fonte: BTCUSDT no TradingView.com
O debate revelou divergências importantes entre percepção de risco e prioridades técnicas. Além disso, expôs a complexidade de coordenar mudanças profundas em um protocolo global e descentralizado.