Bitcoin abaixo de US$73 mil pressiona mineradoras

O Bitcoin recuou novamente em 4 de fevereiro de 2026 e rompeu o patamar de US$73 mil, mantendo a tendência negativa que domina o mercado há quatro meses. O movimento ocorreu em meio ao aumento da pressão vendedora e ao desempenho fraco de empresas de mineração listadas em bolsa, que registraram perdas acentuadas ao longo do pregão. Esse cenário ampliou o sentimento de cautela entre investidores, que já enfrentavam semanas de forte volatilidade.

Durante um dos momentos mais intensos da sessão, o Bitcoin tocou US$72.039 na Binance, recuperando parte do fôlego em seguida, mas permanecendo próximo dos US$73 mil. A retração aumentou a distância em relação ao recorde histórico registrado em outubro de 2025, quando o ativo superou US$125.500. Além disso, a queda acumulada já ultrapassa 40 por cento, impulsionada pela venda de mais de 50 mil BTC por grandes detentores nas últimas semanas, o que elevou a oferta no mercado.

Bitcoin / USD 4h | Fonte: Tradingview

Mineradoras enfrentam forte pressão com queda do mercado

As empresas de mineração sentiram com mais intensidade os efeitos desse recuo. A Marathon Digital Holdings operou ao redor de US$8,09, enquanto a Riot Platforms ficou próxima de US$13,52. A CleanSpark caiu para US$9,94, e diversas companhias do setor encerraram o pregão com perdas superiores a 10 por cento. No entanto, a Phoenix Group, sediada nos Emirados Árabes Unidos, registrou queda mais leve, de cerca de 1 por cento.

A rentabilidade da mineração também recuou de forma significativa. Analogamente, dados do setor mostram que a lucratividade atingiu o menor nível em 14 meses. Resultado da combinação entre o preço mais baixo do Bitcoin e o aumento da dificuldade da rede. Assim, o hashrate diminuiu de maneira contínua desde junho de 2025, segundo dados públicos.

Os 10 maiores mineradores de bitcoin de capital aberto por capitalização de mercado | Fonte:
Capitalização de mercado das empresas

Empresas expostas ao Bitcoin fora do segmento de mineração também enfrentaram forte pressão. A Strategy, antiga MicroStrategy, continuou acumulando perdas mesmo após o CEO Michael Saylor manter sua estratégia de aquisição agressiva. A ação atingiu mínima de 52 semanas no final de janeiro. E ainda assim apresenta dificuldade para se recuperar, reduzindo os ganhos não realizados do portfólio de BTC da companhia para menos de 10 por cento.

Setor de tecnologia aumenta aversão ao risco

A correção do Bitcoin ocorreu em paralelo à queda generalizada das ações de tecnologia. Empresas do setor viveram um dia bastante negativo, influenciado por preocupações sobre o avanço da inteligência artificial. Esse sentimento elevou a aversão ao risco e afastou investidores de ativos voláteis. Historicamente, o Bitcoin costuma acompanhar índices como o NASDAQ 100. Portanto, movimentos amplos de venda tendem a impactar o mercado cripto.

O declínio prolongado do Bitcoin e a queda da lucratividade da mineração indicam que o setor deve enfrentar pressão adicional nas próximas semanas. Além disso, a continuidade da saída de grandes detentores e o fraco desempenho das ações ligadas ao ecossistema reforçam que a correção atual afeta tanto o mercado cripto quanto o mercado acionário.