Coinbase critica bloqueios bancários na Austrália

A Coinbase intensificou as críticas contra grandes bancos da Austrália ao afirmar que essas instituições estariam bloqueando serviços essenciais para empresas legais do setor de cripto. A exchange levou o caso ao Comitê Permanente de Economia da Câmara dos Deputados e alertou que o problema se tornou recorrente, afetando pagamentos, salários e operações diárias de negócios que dependem da infraestrutura bancária.

Segundo a empresa, os bloqueios não se resumem a fechamentos pontuais. A Coinbase argumenta que os obstáculos se repetem com frequência, dificultando a manutenção de atividades básicas. Além disso, a empresa afirma que essas interrupções prejudicam a competitividade e criam insegurança para startups e exchanges de menor porte.

Pressão por regras mais claras no setor financeiro

De acordo com informações divulgadas pela imprensa australiana, a Coinbase solicita a criação de normas que garantam transparência nos processos de encerramento de contas. Além disso, a empresa defende que os bancos expliquem suas decisões e forneçam aviso prévio mínimo de 30 dias. Segundo a exchange, também é necessário disponibilizar canais de contestação e relatórios públicos de conformidade para evitar abusos.

No documento enviado ao comitê, a Coinbase menciona Commonwealth Bank, Westpac, ANZ e National Australia Bank como instituições que teriam encerrado contas sem aviso e bloqueado transações relacionadas a cripto. Assim, a empresa pede que os parlamentares transformem essas exigências em regras obrigatórias, garantindo previsibilidade e segurança para o setor.

Estudos citados pela exchange mostram que diversas fintechs australianas enfrentaram recusas de serviços bancários nos últimos anos, indicando um problema amplo.

Justificativas dos bancos e desafios regulatórios

Os bancos seguem afirmando que atuam de acordo com normas de prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo. No entanto, argumentam que atividades relacionadas a cripto podem elevar riscos e dificultar monitoramento, o que justificaria decisões de encerramento quando os riscos não são considerados aceitáveis.

Segundo as instituições, as ações variam entre respostas imediatas a riscos percebidos ou medidas baseadas em políticas internas formais. Portanto, esses critérios influenciam diretamente a capacidade das empresas afetadas de contestar decisões.

Total do mercado cripto em US$ 2,53 trilhões. Gráfico: TradingView

Consequências para empresas e impactos econômicos

Startups, processadoras de pagamentos e exchanges menores são as mais prejudicadas, já que dependem de contas bancárias para operar com agilidade. Além disso, bloqueios inesperados podem comprometer pagamentos, atrasar transações e reduzir a confiança de parceiros.

Algumas empresas cogitam mover operações para outros países com ecossistemas financeiros mais favoráveis ao setor de cripto. Assim, autoridades australianas demonstram preocupação com possíveis impactos econômicos, incluindo perda de inovação e redução de empregos ligados ao setor tecnológico.

Debates no Parlamento e próximos movimentos

Parlamentares devem avançar para novas audiências públicas, cobrando explicações dos bancos e analisando possíveis mudanças regulatórias. Embora órgãos financeiros já tenham discutido o tema, não impuseram regras mais rígidas até agora. Portanto, o comitê avaliará evidências e poderá recomendar alterações legislativas para garantir que encerramentos de contas sejam documentados e transparentes.

As reivindicações da Coinbase mostram que a relação entre bancos e empresas de cripto continua marcada por tensões. Além disso, o embate deve permanecer no centro das discussões financeiras do país nos próximos meses.