Butão move US$ 22 mi em Bitcoin e gera especulações
O recente movimento do governo do Butão envolvendo Bitcoin despertou forte atenção no mercado cripto. O país deslocou mais de US$ 22 milhões em BTC ao longo da última semana, segundo dados identificados pela Arkham, que monitora grandes transferências on-chain. Além disso, parte do montante foi direcionada para endereços associados à empresa de market making QCP Capital, o que ampliou as discussões sobre possíveis impactos no mercado global.
A movimentação ocorreu em meio a um momento de maior volatilidade, porém segue o padrão observado nos últimos anos. O Butão realiza operações periódicas de reorganização e, em alguns casos, vendas estratégicas de BTC desde o início de suas atividades de mineração em 2019.
Butão intensifica reorganização de reservas digitais
De acordo com a Arkham, o governo do Butão costuma realizar liquidações em blocos de cerca de US$ 50 milhões. No relatório divulgado, a empresa reforçou que os envios são recorrentes e fazem parte do modelo financeiro adotado pelo país em relação às reservas digitais. No entanto, os envios recentes reacenderam debates sobre se o país estaria preparando novas operações de venda.
O Butão transferiu US$ 22,4 milhões em Bitcoin de suas carteiras na última semana para venda. A transferência, realizada há 5 dias, foi enviada diretamente para os endereços identificados da corretora QCP Capital.
Segundo nossas observações, o Butão vende BTC periodicamente em lotes de cerca de US$ 50 milhões, com um…
Fonte: Twitter Arkham
No entanto, apesar dessas movimentações frequentes, o valor total das reservas cripto do Butão vem diminuindo. O país já administrou mais de US$ 1,4 bilhão durante seu pico, mas atualmente as carteiras soberanas somam cerca de US$ 412 milhões, reflexo direto da desvalorização recente do mercado.
Mesmo assim, segundo o Bitcoin Treasuries, o Butão permanece entre os maiores detentores estatais de Bitcoin no mundo, ocupando a sétima colocação.
Mineração de Bitcoin molda estratégia do país desde 2019
A relação do Butão com o Bitcoin começou em 2019, quando o país iniciou suas operações de mineração. Desde então, os ganhos acumulados ultrapassaram US$ 765 milhões. A Arkham destacou que grande parte da produção ocorreu antes do halving de 2024. Após essa redução de recompensas, o custo operacional praticamente dobrou, tornando a extração menos eficiente.
Assim, o país reduziu a intensidade da mineração. Em 2023, o Butão viveu seu melhor ano no setor, com cerca de 8.200 BTC produzidos. No entando 2022, foram minerados aproximadamente 1.800 BTC. Em 2024, o número caiu para algo próximo de 300 BTC.
Movimentos não indicam venda imediata
Os envios recentes ocorreram enquanto o Bitcoin recuava para a faixa dos US$ 70 mil, acumulando queda acima de 7% nas últimas 24 horas. No entanto, analistas on-chain afirmam que essas transações não indicam obrigatoriamente uma venda imediata. Muitas vezes, operações dessa natureza representam apenas redistribuição interna de fundos ou ajustes de custódia.
Portanto, o saldo consolidado das carteiras permanece quase inalterado, reforçando a tese de que o Butão não executou uma liquidação de grande escala. O país já realizou transferências semelhantes anteriormente sem causar impactos bruscos no mercado.
No curto prazo, a postura do Butão mostra continuidade. As movimentações seguem alinhadas ao comportamento observado nos últimos anos, especialmente em períodos de maior volatilidade, quando reorganizações internas costumam ocorrer.