Bitcoin entra em capitulação e testa suportes decisivos
O Bitcoin enfrenta um momento crítico após iniciar uma nova fase marcada por forte pressão vendedora. A maior cripto do mercado passou a operar sob capitulação, movimento que surge quando a liquidez cai e o sentimento global se torna mais sensível ao cenário macroeconômico. Essa dinâmica sugere um período prolongado de redefinição de preços, e não apenas uma correção pontual.
“Essas condições tendem a frustrar os participantes de curto prazo, mas também sinalizam que os mercados estão se baseando no tempo, e não na tendência”, escreveu Severino.
Para os investidores em criptomoedas, esta é uma fase que recompensa a disciplina em vez da previsão.
No final da tarde desta quinta-feira, o ativo era negociado próximo de US$ 63.610, após despencar quase 8% em 24 horas. Esse comportamento intensificou debates sobre a capacidade do Bitcoin de defender níveis-chave, especialmente a região psicológica dos US$ 70.000, que tem funcionado como suporte importante nas últimas semanas.
Mercado entra em capitulação
Nic Puckrin, cofundador do Coin Bureau, afirmou que o movimento recente confirma que o mercado está em plena capitulação. Segundo ele, ciclos semelhantes do passado indicam não só correções rápidas, mas também períodos prolongados de redistribuição. Além disso, esses momentos tendem a durar meses e representam ajustes estruturais relevantes.
O analista aponta que o Bitcoin precisa se manter acima dos US$ 70.000 para evitar uma queda mais profunda rumo à zona entre US$ 55.700 e US$ 58.200, área que ainda representa um dos suportes mais relevantes da tendência prévia.

Fonte: TradingView
Puckrin observa que parte importante da pressão vendedora vem de grandes investidores antigos. No entanto, fundos institucionais também registram saídas líquidas. Assim, mesmo com ETFs apresentando fluxos negativos, muitos desses investidores ainda operam no prejuízo, o que reduz o interesse por compras agressivas neste momento.
Disciplina supera previsões
Para Nic Roberts-Huntley, CEO da Blueprint Finance, a recente queda não altera a demanda estrutural pelo ativo. Contudo, ele ressalta que o cenário atual reflete o aumento da aversão ao risco. A baixa liquidez e as liquidações forçadas impulsionam o movimento de queda, criando um ambiente de maior cautela entre os participantes.
O analista acredita que, se o mercado recuperar clareza macroeconômica, o Bitcoin pode estabilizar. Além disso, a recuperação da liquidez abriria espaço para novo movimento de alta mais à frente no ciclo. Ele recomenda observar a defesa da faixa dos US$ 75.000 e uma possível retomada entre US$ 78.000 e US$ 80.000.
Outro especialista, Tony Severino, da YouHodler, destaca que a volatilidade comprimida define o momento. Segundo ele, o Bitcoin opera em um dos intervalos mais estreitos de sua história. Enquanto isso, outros mercados exibem movimentos inesperados. Portanto, Severino argumenta que este é um período que premia disciplina e controle de risco.
Ativo como termômetro do apetite ao risco
Analistas da Bitunix afirmam que tensões geopolíticas e a correção em empresas de tecnologia afetam o sentimento global. O Bitcoin já recuou cerca de 45% desde a máxima histórica de US$ 126.080 registrada no ano passado. Além disso, o setor de inteligência artificial impulsionou ajustes mais fortes nos mercados tradicionais, o que contribuiu para a cautela atual.
Especialistas apontam que o ativo se tornou um termômetro do apetite global por risco. A retomada e sustentação acima dos US$ 75.000 indicariam que o mercado mantém disposição moderada para risco, apesar das incertezas. Contudo, um rompimento sustentado abaixo desse nível sugeriria que a confiança ainda não retornou.
Assim, a movimentação do Bitcoin nas próximas semanas deve refletir as condições de liquidez global, o avanço das tensões internacionais e o comportamento dos investidores diante da volatilidade. Com grandes players vendendo e vários pontos de pressão macroeconômica, o ativo permanece como um indicador sensível do sentimento de risco no curto prazo.