Queda do Bitcoin intensifica alerta de Michael Burry
O Bitcoin voltou a recuar com força e ampliou as preocupações no mercado, especialmente após um novo alerta emitido por Michael Burry. O investidor, que ganhou notoriedade durante a crise imobiliária de 2008, destacou que a recente desvalorização pode sinalizar um período de forte instabilidade. Nos últimos dias, o ativo caiu para a região de US$ 65.850, ficando quase 50% abaixo do recorde de US$ 126.000 registrado em outubro passado. Esse movimento, além disso, reacendeu debates sobre o risco crescente de liquidações e impactos corporativos.
Mercado reage ao temor de espiral de queda
Em seu Substack, Burry afirmou que a trajetória atual pode evoluir para o que classificou como uma espiral de morte, fenômeno marcado por quedas contínuas provocadas pela própria dinâmica negativa do mercado. Segundo ele, empresas que acumularam grandes volumes de Bitcoin ao longo do último ano correm maior risco. Assim, caso o declínio avance, essas companhias podem enfrentar desafios de liquidez e dificuldades para acessar capital.
O investidor citou a Strategy como exemplo crítico. Para Burry, uma queda adicional de 10% colocaria a empresa sob pressão intensa, com perdas bilionárias e menos espaço para manobras financeiras. Esse cenário, portanto, ampliaria a tensão entre investidores e poderia acelerar movimentos de venda.
Burry acrescentou que, no momento, não vê fatores capazes de conter a descida. ETFs à vista e compras corporativas ajudaram a impulsionar o mercado em 2024, no entanto, não criaram uma base sólida que suporte quedas mais fortes. Portanto, o Bitcoin permanece vulnerável a novas ondas de venda, especialmente em momentos de maior estresse econômico.
Pressão se espalha por metais e tokenizados
Além do segmento cripto, o analista argumentou que o recente enfraquecimento do Bitcoin está relacionado a movimentos expressivos em ouro e prata. Ele afirmou que tesourarias corporativas estariam reduzindo posições lucrativas em futuros tokenizados desses metais, o que pode distorcer o mercado físico. Esses produtos, segundo Burry, não são lastreados em metal real e possuem potencial para ampliar desequilíbrios entre derivativos e commodities.
Esse processo poderia gerar o que chamou de espiral de morte colateral. Nesse caso, liquidações forçadas no setor cripto se ampliariam para produtos tokenizados e afetariam mercados tradicionais. A pressão, além disso, já teria provocado a liquidação de cerca de US$ 1 bilhão em metais preciosos no fim do mês, conforme estimativa apresentada pelo investidor.
Burry destacou ainda que uma queda do Bitcoin até US$ 50.000 agravaria o cenário. Mineradoras poderiam operar no limite, com risco de falência, enquanto futuros tokenizados de metais perderiam liquidez por falta de compradores. Assim, um efeito dominó poderia se formar entre diferentes segmentos financeiros.
Investidores acompanham próximos movimentos
No curto prazo, os alertas de Burry influenciam diretamente o sentimento do mercado. A queda acelerada do Bitcoin e o impacto sobre empresas expostas ao ativo elevam a cautela entre investidores. Além disso, possíveis reflexos em setores como mineração e metais reforçam a atenção para os próximos dias.
Os analistas aguardam como o preço reagirá diante da pressão atual e se empresas como a Strategy conseguirão administrar o risco de novas desvalorizações. Portanto, o comportamento do mercado deve permanecer no centro das discussões enquanto a incerteza se mantém elevada.