China intensifica repressão ao setor de criptoativos

A China reforça sua repressão ao setor de criptoativos ao ampliar a fiscalização e endurecer o banimento de moedas virtuais no país. As autoridades confirmam que empresas domésticas e entidades controladas por grupos chineses no exterior não podem emitir tokens baseados em ativos locais sem autorização. Além disso, stablecoins atreladas ao yuan emitidas fora do país continuam proibidas, o que aumenta as restrições para iniciativas privadas.

Segundo informações divulgadas pela Reuters, o governo observa com mais rigor todas as tentativas de emissão offshore de tokens lastreados em ativos chineses. Portanto, qualquer empresa chinesa ou afiliada vinculada a grupos do país precisa de permissão formal para lançar moedas virtuais no exterior. Essa diretriz amplia o controle sobre operações internacionais e reduz brechas usadas para driblar regulações.

Reguladores ampliam vigilância sobre emissões e tokenização

O Banco Popular da China divulgou um comunicado que reafirma o banimento prévio de criptoativos, mas apresenta novas normas voltadas à economia digital. O governo diferencia moedas virtuais de iniciativas de tokenização de ativos do mundo real, segmento conhecido como RWA. Assim, autoridades indicam maior disposição em regular esse modelo com regras específicas, sem flexibilizar o controle rigoroso sobre criptomoedas.

Louis Wan, executivo da Unified Labs, explica que essa distinção é importante porque separa a tokenização de ativos físicos das operações com criptomoedas proibidas. Para ele, o movimento fortalece o desenvolvimento do setor de RWA, já que cria uma estrutura regulatória dedicada. No entanto, o controle rígido sobre stablecoins e outros ativos digitais permanece inalterado.

Stablecoins atreladas ao yuan entram no foco do governo

As autoridades reforçam que o yuan digital segue como a única moeda digital válida no país. Winston Ma, professor da NYU School of Law, afirma que a mensagem oficial evidencia a intolerância do governo com stablecoins privadas vinculadas ao yuan em circulação global. Essa postura busca evitar riscos sistêmicos e possíveis impactos no sistema financeiro.

O governo cita o aumento de atividades especulativas com moedas virtuais como um dos motivos para ampliar a repressão. Além disso, um comunicado assinado por oito órgãos estatais destaca que criptomoedas não têm força legal e não devem ser utilizadas como substitutas do dinheiro fiduciário. Essa diretriz reforça a posição adotada desde o banimento total do setor.

As autoridades também deixam claro que emissores internacionais, sejam chineses ou não, não podem lançar stablecoins atreladas ao yuan sem autorização. Assim, o governo bloqueia a criação de alternativas privadas que possam competir com o yuan digital. A fiscalização cobre projetos domésticos e offshore, fechando espaço para operações paralelas.

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Gráfico diário mostra a recuperação do valor total de mercado cripto rumo a US$2,4 trilhões. Fonte: TOTAL on TradingView.com

No curto prazo, as novas medidas fortalecem a capacidade do governo de impedir qualquer emissão internacional de tokens ligados a ativos domésticos. Além disso, a proibição explícita de stablecoins atreladas ao yuan restringe iniciativas privadas e protege o avanço do yuan digital. O movimento reforça a estratégia estatal de manter total controle sobre o ecossistema financeiro digital do país.