Bitcoin cai e sinais on-chain elevam risco no mercado

Bitcoin segue pressionado após uma semana marcada por forte volatilidade. A criptomoeda recuou de cerca de US$ 84.000 para perto de US$ 60.000, movimento que chamou atenção entre analistas. No entanto, o ativo ensaiou uma leve recuperação para a faixa de US$ 70.000, mostrando alguma resistência do mercado, apesar do clima de cautela.

Sinais institucionais reforçam pressão sobre o Bitcoin

Segundo se o analista Amr Taha, da CryptoQuant, dados recentes de fluxo institucional e comportamento on-chain indicam aumento do sentimento defensivo. Três métricas destacam esse cenário: saídas de ETFs de Bitcoin à vista, avanço do indicador UTXO Exchange Inflow e movimentação relevante de ativos dentro da Binance.

Em geral, entradas em ETFs de Bitcoin sugerem maior demanda institucional. No entanto, o movimento atual aponta na direção contrária. Os saques cresceram de forma significativa, com o IBIT, ETF da BlackRock, liderando a pressão vendedora.

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Fonte: CryptoQuant

O IBIT registrou dois dias de saídas expressivas. Em 2 de fevereiro, investidores retiraram cerca de US$ 4,7 bilhões. Em 5 de fevereiro, as saídas somaram aproximadamente US$ 7,7 bilhões, totalizando mais de US$ 12,4 bilhões apenas nesses dois movimentos. Além disso, o GBTC, da Grayscale, viu saídas superiores a US$ 2,1 bilhões, ampliando o impacto institucional.

Fluxo para exchanges aumenta pressão no curto prazo

Além do comportamento dos ETFs, o fluxo para exchanges reforçou o clima de aversão ao risco. Usando o UTXO Exchange Inflow SMA 7D, Taha destacou que as entradas de BTC em plataformas de negociação cresceram de forma intensa.

Em 4 de fevereiro, carteiras conhecidas como tubarão e golfinho enviaram mais de 14.900 BTC para exchanges. No dia seguinte, o volume chegou a 20.800 BTC, nível semelhante ao de outubro, quando o Bitcoin operava acima de US$ 122.000. Assim, o aumento das entradas sugere intenção de venda e redução de exposição.

Ao mesmo tempo, stablecoins como USDT passaram a ser retiradas das exchanges. Dados da Binance mostram que, em 5 de fevereiro, o fluxo líquido de BTC subiu para US$ 727 milhões, maior leitura desde novembro. Já o USDT teve saídas que atingiram cerca de US$ 450 milhões.

Esse movimento conjunto indica postura mais defensiva entre investidores institucionais e de varejo. Portanto, o mercado se encontra em um ambiente classificável como risk off, marcado por preferência por liquidez e redução de risco. Embora isso não determine necessariamente novas quedas, reforça a predominância de sentimento negativo.

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BTC no gráfico diário. Fonte: TradingView

No momento da última atualização, o Bitcoin era negociado perto de US$ 68.513 e acumulava queda semanal superior a 15%. Esses dados refletem os impactos combinados das saídas dos ETFs, do avanço do envio de BTC para exchanges e da redução de stablecoins, fatores que ajudam a explicar a pressão recente sobre o mercado.