Bitcoin não deve repetir queda de 77%, diz Bitwise

O Bitcoin enfrentou uma das fases mais intensas de correção do último ano, após registrar uma queda diária de cerca de 14% em 5 de fevereiro. O movimento ampliou o clima de cautela no mercado, embora o ativo tenha mostrado recuperação nas últimas 24 horas. Esse comportamento, segundo nova análise do diretor de investimentos da Bitwise, Matt Hougan, está ligado a um conjunto de eventos que pressionaram o mercado ao longo dos últimos dias. O especialista também indicou fatores que podem influenciar os próximos passos do ativo.

Cenário atual e pressões recentes sobre o mercado

No relatório publicado em 6 de fevereiro, Hougan respondeu às principais dúvidas levantadas por investidores após a forte correção. Ele explicou que movimentos amplos desse tipo costumam ocorrer quando diversos fatores atuam simultaneamente, criando um ambiente de maior aversão ao risco.

De acordo com o executivo, pelo menos seis elementos contribuíram de forma significativa para a queda recente. Entre eles estão a antecipação do ciclo tradicional de quatro anos, o redirecionamento do foco dos investidores para setores como inteligência artificial e metais, além de um evento de liquidação de grandes proporções registrado em 10 de outubro de 2025. Na ocasião, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 100% sobre todas as importações chinesas, o que gerou forte volatilidade global.

Além disso, discussões sobre a possível nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve, preocupações envolvendo computação quântica e um ambiente macroeconômico mais defensivo também ampliaram a pressão sobre o mercado. Hougan destacou que o impacto não se limitou ao Bitcoin. Metais e ações igualmente sofreram quedas expressivas durante o mesmo período.

Sinais de alívio e estabilização do mercado

Apesar do ambiente desafiador, o relatório aponta indícios de que o movimento vendedor começa a perder força. Segundo Hougan, dados on-chain mostram que investidores de longo prazo pararam de vender de forma agressiva. Além disso, alguns desses investidores já iniciaram movimento gradual de recomposição de posições, indicando uma mudança na dinâmica do mercado.

O interesse aberto nas negociações de derivativos de Bitcoin recuou para níveis observados pela última vez em 2024. Para Hougan, esse movimento reduz a alavancagem e tende a diminuir a intensidade da volatilidade no curto prazo.

“De acordo com dados on-chain, os detentores de longo prazo deixaram de vender agressivamente e alguns já começam a voltar ao mercado. O open interest nas bolsas de derivativos de Bitcoin recuou para patamares semelhantes aos de 2024.”

O executivo ponderou que, historicamente, ainda pode haver espaço para pequenas correções. No entanto, ele argumentou que o Bitcoin amadureceu como classe de ativo. Assim, recuos extremos semelhantes à queda de 77% registrada em ciclos anteriores parecem menos prováveis.

Segundo Hougan, uma reversão consistente depende principalmente do tempo. Em sua avaliação, mercados de baixa no setor cripto não terminam com euforia, mas por exaustão.

No momento, o Bitcoin é negociado próximo de US$ 67.834, acumulando alta superior a 4% nas últimas 24 horas. O avanço alivia parte das perdas recentes e reflete a combinação de fatores citados pelo CIO da Bitwise, como a redução da pressão de venda e a menor alavancagem. Embora ainda haja incertezas, o movimento reforça uma possível tentativa de estabilização.

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O preço do BTC no gráfico diário | Fonte: BTCUSDT no TradingView