Bitcoin sobe a US$71 mil com compras institucionais
O Bitcoin voltou a operar acima de US$71.000 após uma recuperação expressiva que ganhou força ao longo da semana. Esse avanço ganhou tração quando grandes instituições passaram a ampliar posições em níveis considerados atrativos, depois da queda que levou o ativo a tocar brevemente a faixa de US$60.000. Esse cenário reforça o apetite institucional, visto que muitos gestores identificaram uma oportunidade estratégica para recompor carteiras.
A movimentação institucional ocorreu enquanto investidores de varejo avaliavam se a recente correção marcou ou não o fundo local. No entanto, executivos do setor mostraram maior convicção. Hunter Horsley, CEO da Bitwise, comentou à CNBC que a volatilidade recente afetou cada grupo de forma distinta, destacando que participantes tradicionais do mercado adotaram postura mais cautelosa, enquanto instituições enxergaram o recuo como uma nova chance de entrada.
Horsley afirmou que muitos investidores institucionais voltaram a encontrar níveis de preço que julgavam ter perdido definitivamente. Além disso, ele explicou que o Bitcoin foi pressionado por um movimento macroeconômico mais amplo, que também atingiu ativos de risco com alta liquidez.
O avanço do varejo e sinais de atenção ao mercado
Enquanto o capital institucional retornava ao mercado, traders de varejo buscavam sinais de esgotamento da pressão vendedora. Assim, a empresa de análise Santiment observou que esse grupo vem realizando uma “meta-avaliação” do ciclo atual, avaliando se outros participantes demonstram desistência antes de decidir reentrar.
Segundo a plataforma, esse comportamento costuma aparecer em momentos próximos aos fundos de mercado, quando o sentimento geral está mais fragilizado. Além disso, tendências de buscas online reforçam esse movimento. Dados do Google Trends mostraram que o termo “Bitcoin” atingiu score máximo mundial na semana iniciada em 1º de fevereiro, marcando forte aumento de interesse em meio à volatilidade.
Outro termo que ganhou força foi “cripto capitulação”, que saltou de 11 para 58 na semana encerrada em 8 de fevereiro. Portanto, esse crescimento indica maior preocupação dos investidores em compreender se o pior da correção já ocorreu.
Impacto institucional e expectativas para o preço
O cenário também ganhou novos elementos a partir da análise de Jeff Park, CIO da ProCap Financial. Park sugeriu que o próximo grande catalisador de alta do Bitcoin pode não depender diretamente de cortes de juros do Federal Reserve. Em vez disso, ele avaliou a possibilidade de valorização mesmo com política monetária rígida, descrevendo esse comportamento como uma espécie de “santo graal” para o ativo.
Esse entendimento desafia premissas tradicionais sobre liquidez global e reforça a tese de que o Bitcoin pode se mover de forma independente a outros ativos de risco durante períodos de aperto monetário.
Além disso, um episódio curioso marcou a semana: a exchange Bithumb relatou um erro operacional que enviou mais de US$40 bilhões em Bitcoin a alguns usuários, em vez de pequenas recompensas promocionais. A plataforma restringiu saques e negociações para reverter as transações, recuperando 99,7% do total.
No entanto, cerca de 125 BTC, equivalentes a aproximadamente US$9 milhões, ainda não foram recuperados. A Bithumb afirmou que assumirá essas perdas com recursos próprios, reforçando que o incidente não se tratou de ataque ou falha de segurança.
No momento da publicação, o Bitcoin se mantinha acima de US$71.400, consolidando estabilidade após dias de intensa oscilação. Essa movimentação reflete a combinação de maior demanda institucional, crescente atenção do varejo e um cenário macroeconômico incerto, que segue influenciando o comportamento de curto prazo do ativo.