Morgan Stanley destaca Cipher e TeraWulf em nova avaliação

Cipher Mining (CIFR) e TeraWulf (WULF) receberam destaque em um novo relatório do Morgan Stanley sobre o setor de mineração de Bitcoin. A instituição iniciou uma cobertura focada em três mineradoras listadas em bolsa e atribuiu classificação Overweight para Cipher e TeraWulf. No entanto, a Marathon Digital foi avaliada como Underweight, refletindo diferenças estruturais entre seus modelos de operação.

Segundo o banco, a indústria passa por um processo de transformação. Além disso, parte das mineradoras começa a ser analisada como empresas de infraestrutura, e não apenas como negócios dependentes do preço do Bitcoin. Essa mudança ocorre à medida que as instalações evoluem para estruturas semelhantes a centros de dados, que tendem a gerar receitas mais estáveis e previsíveis.

O analista Stephen Byrd definiu preço-alvo de US$ 38 para Cipher e US$ 37 para TeraWulf. Assim, as ações da CIFR registraram forte alta no dia da publicação, alcançando aproximadamente US$ 16,50. Os papéis da WULF também avançaram, chegando a US$ 16,20. Já a Marathon teve movimento mais moderado, sendo negociada perto de US$ 8,28, valor inferior ao preço-alvo estimado pelo banco.

Por que a Cipher ganhou protagonismo na análise

O Morgan Stanley apontou a Cipher como o exemplo mais claro da tese de transição do setor para infraestrutura. Segundo Byrd, quando uma mineradora constrói centros de dados e firma contratos de longo prazo com contrapartes qualificadas, suas operações deixam de depender diretamente da volatilidade do Bitcoin. Dessa forma, esses ativos passam a ser avaliados com base em fluxo contínuo de receita.

O relatório comparou essas estruturas aos modelos de REITs de centros de dados, como Equinix e Digital Realty, conhecidos por múltiplos elevados devido à previsibilidade de faturamento. A Cipher estaria alinhada a esse formato, já que suas instalações foram consideradas adequadas à migração para contratos estáveis, aproximando a empresa de um modelo semelhante a pedágios energéticos, com geração de caixa mais consistente ao longo do tempo.

A TeraWulf também foi citada como beneficiária desse cenário. Além disso, a empresa possui experiência operacional relevante em infraestrutura energética, fator que reforça sua capacidade de fechar novos acordos para centros de dados. O banco projeta que a companhia pode ampliar sua capacidade anual em 250 megawatts até 2032, considerando diferentes cenários de execução.

A visão do banco sobre a Marathon Digital

O Morgan Stanley adotou postura mais conservadora em relação à Marathon. De acordo com o relatório, o modelo híbrido da empresa, dividido entre mineração tradicional e iniciativas ligadas a centros de dados, reduz o potencial de valorização derivado de uma transição completa para infraestrutura.

O banco destacou que a Marathon mantém forte foco na aquisição de Bitcoin e na emissão de notas conversíveis para custear operações. Dessa forma, a empresa permanece mais exposta às oscilações do mercado. Outro ponto mencionado foi a pouca experiência da companhia na gestão de centros de dados, além do histórico de retornos limitados sobre capital investido.

Setor de mineração avança para energia e IA

O relatório surge em um momento de mudanças estruturais no setor. Muitas mineradoras avaliam migrar parte de suas operações para serviços ligados à computação de alto desempenho e inteligência artificial. Portanto, empresas que conseguem fechar contratos de longo prazo apresentam maior previsibilidade financeira, enquanto mineradoras puramente tradicionais continuam vulneráveis a margens apertadas e ao halving.

Nos últimos meses, companhias como Bitfarms, agora Keel Infrastructure, e IREN anunciaram planos para reduzir ou abandonar a mineração. Além disso, ambas buscam priorizar contratos de hospedagem de workloads de IA e serviços para empresas de nuvem.

No curto prazo, as classificações do Morgan Stanley reforçam que Cipher e TeraWulf estão mais bem posicionadas para capturar valor na transição para modelos de infraestrutura. Por outro lado, a Marathon segue mais dependente do desempenho do Bitcoin, o que limita previsibilidade e reduz seu potencial de valorização.