ETFs reacendem otimismo, mas risco persiste
Os ETFs de Bitcoin e Ethereum voltaram a registrar entradas relevantes e reacenderam o debate sobre um possível piso no mercado cripto. Ainda assim, o cenário segue frágil, pois dados macroeconômicos e sinais on-chain indicam que a volatilidade pode continuar nas próximas semanas.
Na última sessão, os ETFs de Bitcoin à vista receberam US$ 145 milhões, após já terem captado US$ 371 milhões na sexta-feira anterior. Além disso, os ETFs de Ethereum também inverteram a tendência negativa e somaram US$ 57 milhões em entradas líquidas, encerrando três dias consecutivos de saídas. Esse movimento ocorreu logo após uma fase de forte pressão vendedora que levou o BTC a cerca de US$ 60 mil, o menor nível desde antes das eleições americanas de novembro de 2024.
Apesar da melhora nos fluxos, Bitcoin e Ethereum ainda operam abaixo das máximas recentes. No momento da redação, o BTC girava em torno de US$ 68 mil e o ETH próximo de US$ 1.980. No entanto, ambos haviam reagido no dia anterior, com o Bitcoin alcançando US$ 71 mil e o Ethereum subindo até US$ 2.150 após a retomada dos aportes nos ETFs à vista.
Dados macro e on-chain elevam cautela
Embora os fluxos positivos tragam alívio, o mercado aguarda indicadores decisivos dos Estados Unidos. Primeiramente, o relatório de empregos não agrícolas (NFP) pode alterar expectativas sobre o ritmo de cortes de juros. Em seguida, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) pode redefinir a percepção sobre a inflação. Portanto, esses dois eventos têm potencial para sustentar a recuperação ou interrompê-la de forma abrupta.
Em sua atualização de mercado mais recente, a empresa de negociação de ativos digitais QCP
observou que os ETFs de Bitcoin à vista registraram entradas líquidas de US$ 145 milhões ontem, somando-se aos US$ 371 milhões de sexta-feira. Os ETFs de ETH à vista também reverteram a tendência, com entradas líquidas de US$ 57 milhões após três dias de queda.
Em paralelo, dados on-chain sugerem que investidores continuam se protegendo. Segundo análise do CryptoQuant, mais de 7.000 BTC saíram da Binance rumo a outras corretoras spot em 6 de fevereiro, marcando o segundo maior volume diário do último ano. Além disso, a média móvel de sete dias das transferências da Binance para plataformas de derivativos saltou para 3.200 BTC, o maior nível desde janeiro de 2024.
Esse movimento indica que grandes detentores podem estar buscando hedge ou preparando posições para oscilações intensas. Assim, mesmo com entradas nos ETFs, o comportamento dos players institucionais demonstra cautela estratégica.
Ao mesmo tempo, o desconto do Bitcoin na Coinbase encolheu de cerca de 20 pontos-base para 9 pontos-base. Isso sugere moderação nas vendas lideradas por investidores dos Estados Unidos. Contudo, o Índice de Medo e Ganância das Criptomoedas permanece em 9, dentro da zona de “medo extremo”. Dessa forma, o sentimento geral ainda reflete insegurança.
Mercado amplo sofre, mas fundamentos resistem
A recente correção pressionou não apenas o Bitcoin, mas também o restante do mercado. A capitalização total caiu para US$ 2,36 trilhões, com perda diária superior a US$ 50 bilhões. Além disso, ativos como ETH, XRP e BNB registraram desvalorizações relevantes.
Entretanto, nem todos os tokens acompanharam o movimento negativo. O XMR avançou 3%, enquanto o ZRO entrou no top 100 após alta de 20%. Esses movimentos pontuais mostram que a liquidez ainda circula dentro do ecossistema, mesmo em momentos de tensão.
Diferentemente de ciclos anteriores, esta fase de correção não apresentou colapsos sistêmicos ou eventos de alavancagem oculta. Segundo Sergey Nazarov, cofundador da Chainlink, os ativos do mundo real tokenizados (RWAs) continuam a se expandir na blockchain, apesar da volatilidade de preços. Assim, o interesse institucional permanece sustentado por vantagens como liquidez contínua e mercados operando 24 horas por dia.
Por fim, embora os fluxos de ETFs ofereçam sinal construtivo, analistas alertam que o mercado segue sensível. As estruturas de derivativos e o histórico recente de volatilidade exigem gestão rigorosa de risco. Portanto, o cenário combina esperança moderada com prudência tática.
Em resumo, os aportes nos ETFs sinalizam retomada de interesse institucional. Contudo, indicadores macroeconômicos e movimentações estratégicas no on-chain indicam que a estabilidade ainda não está garantida.