Standard Chartered prevê queda do Bitcoin a US$ 50 mil
O Bitcoin enfrenta um período de forte pressão, marcado pela redução do apetite por risco e por sinais de desaceleração econômica nos Estados Unidos. Geoff Kendrick, chefe de pesquisa de ativos digitais do Standard Chartered, afirmou que que a criptomoeda pode recuar para a faixa de US$ 50 mil nos próximos meses, caso o cenário atual persista.
Segundo o analista, o enfraquecimento do impulso econômico e a redução das expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve afetam diretamente o desempenho das criptos. Além disso, a queda nas posições dos ETFs de ativos digitais diminui uma importante fonte de demanda que sustentou parte da recente alta do mercado.
No momento, o Bitcoin é negociado próximo de US$ 67.869, após tocar US$ 60.008 na última semana, o menor valor em 16 meses. Kendrick afirmou que o Ethereum também pode recuar, chegando perto de US$ 1.400 antes de estabilizar.
Pressão macroeconômica influencia trajetória do mercado
O Standard Chartered revisou sua projeção para o fim de 2026, reduzindo o preço esperado do Bitcoin de US$ 150 mil para US$ 100 mil. A instituição citou a deterioração do ambiente macroeconômico e o aumento do risco de capitulação de investidores como fatores determinantes. No entanto, destacou que cerca de metade da oferta circulante da moeda permanece em lucro, o que mostra um cenário menos crítico que o observado em ciclos de baixa anteriores.
O ajuste ocorre após meses de forte correção. O Bitcoin acumulou queda de 50% desde o recorde histórico de outubro de 2025, marcando um dos períodos mais desafiadores recentes. Ainda assim, Kendrick ressaltou que a situação atual é mais estável do que a vivida em 2022, quando colapsos como Terra/Luna e FTX pressionaram o mercado de forma profunda.
ETFs registram retração significativa
Outro ponto significativo é o comportamento dos ETFs de Bitcoin. As posições acumuladas nesses fundos diminuíram quase 100 mil BTC desde o pico de outubro de 2025. Com preço médio de compra próximo de US$ 90 mil, muitos investidores estão com prejuízo não realizado, o que pode estimular novas vendas caso o mercado continue pressionado.
A retração dos ETFs ocorre em um momento em que o mercado também projeta cortes de juros mais tardios pelo Federal Reserve. Portanto, o ambiente de maior cautela reduz o fluxo de capital para ativos considerados arriscados. Kendrick também mencionou que a incerteza sobre a liderança futura do Fed aumenta a volatilidade.
Mesmo diante desse quadro, o Standard Chartered mantém uma visão construtiva para os próximos anos. Os dados de uso on-chain mostram sinais de recuperação, e a ausência de grandes colapsos institucionais oferece um ambiente mais previsível para o mercado.
Em dezembro passado, o banco já havia revisado suas estimativas, prevendo o Bitcoin em US$ 100 mil no fim de 2025 e US$ 150 mil em 2026, enquanto manteve a expectativa de US$ 500 mil para 2030. Na época, citou a perda de força da demanda corporativa e a redução nas entradas via ETFs.
Atualmente, o Bitcoin segue negociado próximo de US$ 67 mil, conforme dados do Bitcoin Magazine Pro.

Fonte: Bitcoin Magazine Pro
No curto prazo, a combinação entre juros mais altos por mais tempo, retração dos ETFs e revisões negativas do Standard Chartered amplia a pressão sobre o Bitcoin. Assim, a instabilidade refletida nas últimas semanas ajuda a explicar o comportamento mais defensivo dos investidores.