Deutsche Bank diz que Bitcoin perde status de ouro digital

A estrategista sênior do Deutsche Bank, Marion Laboure, reacendeu o debate sobre o Bitcoin ao afirmar que o ativo não pode mais ser visto como ouro digital. A declaração ocorreu durante entrevista ao Yahoo Finance e surge em um momento em que o mercado tenta recuperar estabilidade após novas ondas de volatilidade. Além disso, a análise de Laboure destacou que a dinâmica recente reforça a distância crescente entre o desempenho do Bitcoin e o do ouro.

Segundo a estrategista, o comportamento dos dois ativos em 2025 evidencia essa ruptura. Enquanto o ouro registrou forte valorização, o Bitcoin acumulou queda no ano. Portanto, a correlação que sustentou a narrativa de ouro digital perdeu força, especialmente diante da disparidade de resultados.

Divergência de desempenho e impacto da volatilidade

Laboure explicou que a fase negativa não representa um evento isolado. Em vez disso, ela afirmou que a volatilidade faz parte da natureza do Bitcoin. Além disso, fatores externos contribuíram para o cenário atual, como a saída contínua de capital dos ETFs desde outubro e a instabilidade regulatória nos Estados Unidos.

A estrategista mencionou que o Genius Act, voltado às stablecoins, avançou no último ano, porém o Clarity Act ainda segue em debate no Congresso americano. Assim, o ambiente regulatório segue incerto. Laboure também observou uma retração importante do investidor de varejo. Sua pesquisa recente mostrou queda de 17 por cento para 12 por cento no número de americanos expostos a cripto entre julho e dezembro.

O Bitcoin “já não é ouro digital”, afirma Marion Laboure, estrategista do Deutsche Bank. “O ouro teve um desempenho 65% superior em 2025. O Bitcoin caiu 6,5%.”

Yahoo Finance no X

De acordo com Laboure, os números recentes tornam insustentável a comparação entre Bitcoin e ouro. Em 2025, o ouro superou o ativo digital em 65 por cento, enquanto o Bitcoin recuou 6,5 por cento. Portanto, a tese de ouro digital perdeu sustentação.

Ela acrescentou que o Bitcoin atravessa uma transição narrativa. No entanto, o ativo ainda não se consolida como meio de pagamento nem como moeda. Laboure afirmou que dificilmente o Bitcoin substituirá o ouro ou as moedas fiduciárias. Além disso, ela destacou que o mercado tenta entender qual será o papel definitivo da criptomoeda, que se move entre especulação e adoção crescente.

A estrategista retomou também o conceito de efeito Tinkerbell, segundo o qual o valor de um ativo depende da crença coletiva. Assim, o comportamento do Bitcoin em vários momentos parece seguir essa lógica. Movimentos de preço muitas vezes refletem mais expectativas do que fundamentos concretos.

Ainda assim, Laboure reconheceu fatores que impulsionaram altas nos últimos anos, como a aprovação de ETFs, o halving e a postura positiva do presidente Donald Trump após a eleição. No entanto, ela argumentou que esses eventos não explicam sozinhos a escalada do ativo de US$ 35.000 em novembro de 2023 para mais de US$ 120.000 em outubro de 2024.

Reações nas redes sociais e visão de analistas

As declarações geraram forte reação no X. O analista de ETFs da Bloomberg, Eric Balchunas, criticou o uso de apenas um ano como base de comparação. Além disso, ele ressaltou que, seguindo essa lógica, o Bitcoin teria sido ouro digital em 2023 e 2024, quando acumulou alta de 450 por cento.

Outros especialistas também contestaram Laboure. Steven Lubka, vice-presidente da Nakamoto, afirmou que ela defende CBDCs e criticou sua avaliação sobre o mercado de cripto. Ainda assim, a discussão expôs a divisão entre analistas sobre a etapa atual do ciclo do Bitcoin.

No momento da apuração, o ativo era negociado a US$ 68.007.

Bitcoin price chart
Gráfico do Bitcoin próximo da média móvel exponencial de 200 semanas. Fonte: TradingView

Com a saída de recursos dos ETFs, a queda do interesse do varejo e a agenda regulatória indefinida nos EUA, a distância entre o desempenho do Bitcoin e o do ouro se ampliou. Portanto, a narrativa de ouro digital segue cada vez mais distante.