Mercado em pânico pressiona Bitcoin e amplia volatilidade

O mercado cripto enfrenta um clima de tensão crescente, com queda forte nos preços e aumento expressivo do medo entre investidores de varejo. O Bitcoin opera sob pressão enquanto o Índice de Medo e Ganância permanece em 12, nível considerado de Medo Extremo. Esse patamar reflete o sentimento negativo dominante. No entanto, a forte discrepância entre o comportamento do varejo e o movimento dos derivativos chama atenção, já que o volume de contratos perpétuos aumenta mesmo durante a onda de vendas de investidores comuns.

O Bitcoin é negociado próximo de US$ 67.610, enquanto Ether segue em torno de US$ 1.950. Ambos acumulam perdas relevantes no mês. Além disso, a capitalização total do mercado recuou quase US$ 800 bilhões, reforçando a intensidade da correção. Apesar disso, o avanço dos mercados perpétuos sugere atuação ativa de investidores profissionais que operam estruturas de hedge, e não movimentos impulsivos guiados por pânico.

Fonte: Coinglass

Os gráficos do mercado à vista seguem pressionados, o que intensifica o receio entre investidores menos experientes. Além disso, as taxas de financiamento em derivativos apresentam comportamento distante do que ocorre em fases de euforia. O funding de Bitcoin está neutro e o de Ether permanece negativo. Assim, o mercado não indica otimismo exacerbado no curto prazo. Esse padrão costuma apontar para operações de proteção, o que reforça a ausência de alavancagem agressiva.

Esse contraste entre varejo e grandes players gera dúvidas sobre os próximos movimentos. O atual cenário pode refletir apenas estratégias de hedge institucional ou até mesmo preparação silenciosa para uma possível retomada. Entretanto, a combinação de sentimento extremo e fluxo robusto de capital costuma antecipar mudanças importantes na dinâmica do mercado.

Pressão técnica e fundamental molda a trajetória do Bitcoin

Alguns bancos e analistas seguem confiantes no longo prazo, apesar da atual fase negativa. A JPMorgan, por exemplo, projeta perspectiva favorável para os próximos anos, mesmo com a queda da capitalização do setor de US$ 3,1 trilhões para US$ 2,3 trilhões. Além disso, estimativas indicam que o custo médio de produção do Bitcoin gira em torno de US$ 77.000. Esse dado reforça que quedas prolongadas abaixo desse nível costumam ser limitadas.

O aumento dos custos de energia pressiona mineradores, que operam com margens mais apertadas. A combinação entre hashrate elevado e preços em queda reduz de forma significativa a rentabilidade do setor.

No entanto, analistas mantêm postura cautelosa. O estrategista John Blank alerta para a possibilidade de o Bitcoin recuar até a região de US$ 40.000 caso o cenário mais pessimista se confirme. Assim, o suporte dos US$ 60.000 se torna fundamental para impedir uma capitulação mais profunda que intensifique ainda mais a pressão no mercado.

Derivativos e sentimento podem definir os próximos movimentos

O curto prazo segue marcado pela volatilidade, com indicadores de sentimento pressionados e sinais divergentes entre varejo e investidores institucionais. Além disso, o aumento dos volumes em derivativos, o preço abaixo do custo de produção e a pressão sobre mineradores tornam os próximos movimentos decisivos para o rumo do mercado. Portanto, os próximos dias podem indicar se o Bitcoin encontrará suporte consistente ou se continuará em direção aos níveis projetados em cenários mais pessimistas.