Bitcoin reage ao dólar após possível mudança da Rússia

O mercado reagiu com forte volatilidade após a divulgação de um relatório que indicou a possibilidade de a Rússia voltar a usar o dólar em parte de suas negociações internacionais. A primeira reação ocorreu entre investidores globais e levou a uma saída de aproximadamente US$ 120 bilhões de ativos considerados mais arriscados.

Esse movimento atingiu tanto a Bolsa dos Estados Unidos quanto o mercado de cripto. Assim, o Bitcoin e outros ativos sofreram pressão adicional em meio à crescente cautela geopolítica. A retomada parcial do dólar nas operações russas reacendeu incertezas sobre o equilíbrio das economias globais, o que reduziu o apetite ao risco.

Dólar forte pressiona o Bitcoin

O fortalecimento do dólar influencia diretamente ativos de risco. Quando a moeda americana se valoriza, títulos do Tesouro passam a oferecer melhores retornos e reduzem o interesse por ativos que não geram rendimentos, como o Bitcoin. Ontem, 12 de fevereiro, o total do mercado de cripto voltou aos níveis anteriores às eleições dos Estados Unidos.

O Bitcoin caiu 1,2%, enquanto o S&P 500 recuou 1,57% e registrou seu pior desempenho diário em quase um mês. No momento da apuração, o ativo era negociado a US$ 66.958, acumulando queda de 0,8% nas últimas 24 horas e de 3,3% na semana. Em um período mais amplo, o recuo mensal se aproxima de 30%.

Saídas de ETFs intensificam o movimento

Nas últimas 48 horas, o fluxo institucional passou a registrar saldo negativo. Portanto, os ETFs de Bitcoin à vista tiveram saídas de US$ 410 milhões ontem, após perdas de US$ 276 milhões no dia anterior. Esse comportamento reforça a mudança de humor entre grandes participantes do mercado.

Até mesmo o ouro acompanhou a tendência de queda. O metal recuou 3,19% no último pregão, mas analistas afirmam que ele ainda preserva seu papel defensivo durante momentos de maior incerteza macroeconômica.

Sentimento fragilizado domina o mercado

Outros indicadores mostram que o sentimento segue pressionado. O Coinbase Premium Index, por exemplo, não voltou a indicar força compradora desde o pico observado antes da queda de outubro. Isso indica falta de confiança tanto do varejo quanto de investidores institucionais.

No entanto, alguns grandes players aproveitaram o cenário para aumentar suas posições. Binance e Strategy (MSTR) já acumularam mais de 42 mil Bitcoins apenas em 2026, reforçando uma visão de longo prazo para o ativo.

Mercado reage mais ao sentimento do que à estrutura

A zona acima de US$ 60 mil continua sendo considerada um suporte estrutural importante. Ainda assim, os últimos dias mostram que o Bitcoin está sendo guiado mais pelo sentimento do mercado e pelo ambiente macroeconômico do que por padrões técnicos tradicionais.

Se o clima melhorar, analistas acreditam que o interesse por ativos de risco pode se recuperar. Além disso, mudanças geopolíticas envolvendo o dólar seguem exercendo forte influência sobre o comportamento de curto prazo dos mercados. Por isso, a recente oscilação do Bitcoin reflete diretamente a combinação entre dólar mais forte, saídas de ETFs e queda nos índices globais.