Bitcoin cai com pressão de ETFs e menor demanda institucional

O Bitcoin registra nova queda após um mês marcado por forte desvalorização superior a 25 por cento. O movimento acompanha o aumento das saídas líquidas dos ETFs à vista, que reduziram o apetite de investidores institucionais. O ativo opera próximo de US$ 69 mil, ainda distante do recorde histórico acima de US$ 126 mil alcançado em outubro de 2025, embora mantenha suporte acima de US$ 60 mil.

Entre os produtos mais impactados, o iShares Bitcoin Trust (IBIT) soma cerca de US$ 2,8 bilhões em retiradas no último trimestre. Apesar disso, o ETF ainda guarda contraste com as entradas de quase US$ 21 bilhões acumuladas em um ano. Além disso, o conjunto dos ETFs à vista reflete o mesmo comportamento, com saídas aproximadas de US$ 5,8 bilhões no período recente.

ETF iShares Bitcoin Trust – Fonte: Coinglass

No entanto, participantes do mercado afirmam que investidores de longo prazo continuam mantendo suas posições. Esse comportamento reforça uma base resistente, mesmo após a volatilidade intensa observada ao longo de 2025.

Impacto das saídas dos ETFs no movimento do mercado

Segundo Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise Asset Management, a pressão vendedora atual deriva principalmente de traders de curto prazo e fundos hedge. Ele afirma que esses agentes utilizam instrumentos líquidos para ajustar estratégias de momento, diferentemente de consultores financeiros que seguem mais firmes.

É realmente uma narrativa de dois lados, disse Hougan, destacando que investidores orientados por planejamento continuam menos sensíveis à oscilação recente.

Ainda assim, dados da Amberdata indicam uma mudança estrutural no mercado de ETFs de Bitcoin. Pela primeira vez desde seu lançamento, o fluxo acumulado de 2026 passou ao campo negativo, acompanhado de uma desaceleração mais ampla. No início de fevereiro, o setor registrou saída líquida de US$ 1,7 bilhão, sinalizando interrupção do ciclo anterior de acumulação acelerada.

ETF flows – Fonte: Lookonchain

Além disso, análises semanais revelam fluxo persistente de saída para produtos ligados a Bitcoin e Ethereum. Em contraste, ETFs expostos a Solana registram entradas, sugerindo rotação parcial entre ativos.

Níveis de preço e perspectivas para o curto prazo

Análise do preço do Bitcoin – Fonte: TradingView


Analistas apontam que a zona entre US$ 53 mil e US$ 55 mil pode atuar como o próximo suporte relevante caso o patamar de US$ 60 mil seja rompido. Já as regiões de US$ 69 mil e US$ 86 mil funcionam como resistências importantes no curto prazo.

A diferença entre o desempenho do Bitcoin e o avanço contínuo do ouro, que segue renovando máximas, aumenta a cautela. Enquanto ativos tradicionais de proteção ganham força, o recuo recente pressionou ETFs de Estratégia e produtos à vista, afetando novos participantes do mercado.

Portanto, mesmo com entradas pontuais durante períodos de baixa, a pressão vendedora consistente traz preocupação sobre uma correção mais prolongada. Caso o suporte de US$ 60 mil seja perdido, especialistas alertam para possível intensificação da queda com redução de alavancagem institucional.

Assim, o cenário atual une saídas de ETFs, mudança no perfil dos fluxos institucionais e perda de força nas zonas decisivas de preço. A continuidade das retiradas, sobretudo após o recuo trimestral, reforça o impacto imediato de uma realocação mais cautelosa por investidores que buscam reduzir exposição ao risco.