Bored Apes de Neymar despencam após auge dos NFTs
Em meio a pandemia e quarentena do COVID-19 , entre 2020 e 2021, com economia parada, juros baixíssimos, dinheiro sobrando, o capital buscava alto risco e alta recompensa. Em 2021, os NFTs explodiram, atraindo celebridades e investidores ao permitir registrar obras digitais como itens únicos. Neymar comprou peças do Bored Apes Yacht Club por cerca de R$ 6 milhões em 2022. E Justin Bieber comprou um Bored Ape por 500 ETH, cerca de US$ 1,3 milhão, naquele ano. Esse movimento marcou um período de euforia especulativa no mercado digital.
A febre dos NFTs (tokens não fungíveis) colecionáveis
Não era só um desenho de macaco. Era um “cartão de membro”. Celebridades como Justin Bieber, Neymar e Madonna compraram, logo, impulsionaram o valor de coleções. Transformaram um código no blockchain num símbolo de status equivalente a Rolex ou Ferrari. O marketing foi genial. Você não comprava um macaco, comprava acesso a servidor privado no Discord, festas exclusivas em Nova Iorque, afiliação com celebridades. Coleção limitada a 10 mil itens únicos, gerou uma escassez artificial. O preço subia porque o próximo comprador achava que alguém pagaria mais caro ainda. E foi aqui que a bomba começou a explodir, ver o preço subir de US$ 100 pra US$ 10 mil em semanas gerou pânico de compra. Pessoas pegando empréstimo, investindo economia de uma vida para não ficar de fora.
NFTs viraram ativo financeiro especulativo, já que valor não vinha da qualidade artística, vinha da liquidez. As pessoas tratavam NFTs como ações de alto risco ou memecoin. Houve até manipulação de mercado. Criadores ou grupos de investidores compravam seus próprios NFTs por preços astronômicos para inflar o valor percebido. Mas a pandemia acabou e em 2022, os Bancos centrais começaram a subir taxas de juros para combater inflação. O dinheiro “fugiu” saiu de ativos de risco e foram para investimentos seguros. A especulação acabou e o valor dos NFTs também.

Fonte: Enzo Oliveira no Threads.
Mercado após a febre
Em 2024, a coleção passou a valer pouco mais de R$ 400 mil e, segundo rumores, hoje não ultrapassa R$ 50 mil. Após o boom inicial, o mercado esfriou e a Yuga Labs, criadora da coleção, fez demissões em 2023.
Entre 2023 e 2025, o mercado sofreu uma correção severa. Estudos indicaram que cerca de 95% das coleções de NFTs caíram para um valor de mercado próximo a zero, deixando milhões de investidores com ativos ilíquidos.
Os Bored Apes, uma das coleções mais icônicas do mercado de NFTs, enfrentam uma forte desvalorização desde o fim do boom dos tokens não fungíveis. Esse cenário ficou ainda mais evidente já dois NFTs adquiridos por Neymar estão avaliados em 73 mil, perda de 96%. O Bored Ape de Bieber vale cerca de 6 ETH, o equivalente a US$ 12 mil, isso representa uma perda próxima de 99%. No entanto, o cenário atual mostra queda acentuada no valor desses ativos. Assim, os NFTs de Neymar e de Bieber refletem a derrocada generalizada do segmento.
Queda do mercado e impacto no preço da coleção
O efeito não se limita aos itens do atleta e a do cantor. Toda a coleção BAYC passou por forte correção desde 2022. Naquele período, o NFT mais barato tinha valor próximo de R$ 1,7 milhão. Hoje, o floor price está em torno de R$ 66,3 mil. Portanto, a queda ultrapassa 96%, acompanhando o esfriamento do mercado e a migração do interesse para áreas como finanças descentralizadas e inteligência artificial.
Além disso, o declínio reflete a diminuição da procura por ativos digitais não fungíveis. O entusiasmo que antes sustentava avaliações milionárias desapareceu, deixando proprietários com ofertas muito inferiores às registradas no auge do setor.
Alívio regulatório não freou perdas
Em meio à sequência de quedas, a comunidade BAYC recebeu uma notícia positiva em março do ano passado. A SEC encerrou investigação aberta em 2022 contra a Yuga Labs, responsável pelos Bored Apes. O processo buscava determinar se a distribuição de NFTs e dos tokens ApeCoin violava normas de valores mobiliários.
A empresa comemorou o encerramento, classificando o desfecho como um avanço importante para o mercado. Segundo a Yuga Labs, a decisão reforça que NFTs não devem ser tratados como valores mobiliários. Além disso, a companhia enfatizou que o reconhecimento fortalece o trabalho de criadores dentro do ecossistema digital.
No entanto, a melhora regulatória não refletiu nos preços. O mercado continuou enfraquecido mesmo após a decisão da SEC, mantendo baixa demanda por esses ativos. Dessa forma, a coleção permaneceu distante dos valores registrados durante o período de euforia.
Assim, os dados mais recentes mostram que proprietários de Bored Apes seguem enfrentando um cenário de desvalorização. As ofertas continuam muito abaixo do auge dos NFTs, e a tendência negativa permanece, tanto nas peças adquiridas por Neymar quanto no preço geral da coleção.
Panorama Atual (2025-2026): da euforia à maturidade
Após o colapso, o mercado de NFTs colecionáveis em 2026 está passando por uma fase de “amadurecimento” e lenta recuperação, deixando de ser apenas um ativo de ostentação para buscar utilidade real.
Recuperação Tímida em 2026: No início de 2026, o mercado de NFTs começou a mostrar sinais de recuperação, com um aumento na capitalização de mercado e volume de negociação após anos de baixa, impulsionado por um foco em utilidade.
Valorização do “Utilidade”: Os NFTs que mantêm valor agora oferecem benefícios, como acesso a clubes exclusivos, direitos de licenciamento ou itens dentro de jogos (games Web3).
Foco no longo prazo: Analistas projetam uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) mais modesta, de cerca de 4,5% entre 2026 e 2033, indicando uma transição de novidade especulativa para componente integrado na economia digital.
Tendências para 2026 e Além
NFTs em Jogos (Crypto Games): Jogos como Axie Infinity e novos lançamentos aguardados para 2026 buscam reacender o interesse, focando na propriedade real de itens do jogo.
Integração com IA: NFTs gerados por inteligência artificial, que possuem funcionalidades específicas, estão emergindo como uma nova tendência.
Uso Institucional: Marcas de luxo e empresas estão explorando NFTs como ferramentas de fidelidade, ingresso ou identidade digital, consolidando a tecnologia no marketing.
Em suma, a febre dos NFTs de imagem digital (JPEG) especulativos passou, dando lugar a uma fase onde a utilidade técnica e a aplicação prática definem o valor dos colecionáveis na blockchain.