Maya busca IPO nos EUA para captar até US$1 bi
A fintech filipina Maya estuda uma oferta pública inicial nos Estados Unidos ainda este ano para ampliar sua presença global e fortalecer sua operação financeira.
A empresa avaliou a possibilidade de captar entre US$500 milhões e US$1 bilhão, movimento que reforça o interesse em acessar um mercado de capitais mais sólido. Além disso, consultores financeiros ajudam a estruturar o plano de IPO, que pode sofrer ajustes conforme as condições de mercado evoluam. No entanto, a companhia reafirma que sua prioridade permanece na expansão dos serviços digitais nas Filipinas.
Expansão internacional e ambiente competitivo
A decisão de mirar os Estados Unidos reflete a busca por maior liquidez e acesso a investidores institucionais. Assim, a estratégia segue a tendência vista entre empresas do Sudeste Asiático que buscam listagens fora de seus mercados locais. Nos últimos anos, a dificuldade em realizar grandes ofertas tecnológicas nas bolsas domésticas levou companhias da região a procurar ambientes mais competitivos.
No cenário recente, o desempenho dos índices acionários também influenciou essa mudança. Enquanto o MSCI Philippines Index subiu cerca de 12% no último ano, o resultado ficou abaixo do MSCI AC Asia Pacific Index, conforme dados divulgados pela Bloomberg. Portanto, a menor atratividade local incentiva empresas a buscar alternativas internacionais para captação de recursos.
Outros grupos filipinos seguem caminho semelhante. A Jollibee Foods planeja listar sua operação internacional nos EUA, e companhias da Ásia avaliam ofertas em Hong Kong. Dessa forma, a internacionalização das captações ganha força em um ambiente de reabertura gradual do mercado norte-americano.
Dados da Renaissance Capital mostram que 2025 encerrou com o maior volume de IPOs em quatro anos, registrando 202 operações e cerca de US$44 bilhões movimentados. Além disso, estatísticas da EY apontam 1.293 ofertas públicas globais somando aproximadamente US$171 bilhões.
Base de usuários e desempenho financeiro
Licenciada pelo Bangko Sentral ng Pilipinas, a Maya atua como banco digital oferecendo contas de poupança, pagamentos, empréstimos, serviços a comerciantes e produtos de investimento. A plataforma inclui ainda negociação de criptoativos integrada a um provedor regulado.
Em 2024, o banco atendeu 5,4 milhões de usuários e concedeu 68 bilhões de pesos em empréstimos, cerca de US$1,2 bilhão. Além disso, as contas podem render até 15% ao ano, enquanto o crédito instantâneo chega a 250 mil pesos para consumidores e 2 milhões de pesos para pequenos negócios. Os clientes também acessam ações, fundos e ativos como Bitcoin e Ethereum.
A empresa, criada como PayMaya, iniciou suas operações como carteira digital para pagamentos via QR Code. Posteriormente, evoluiu para banco digital completo usando análise de dados e sistemas de pontuação baseados em inteligência artificial, o que permite decisões rápidas de crédito sem necessidade de garantias tradicionais.
Atualmente, cerca de 70% dos clientes vivem fora da região de Metro Manila, onde cresce a demanda por serviços financeiros digitais. A empresa conta com apoio de investidores como PLDT, KKR, Tencent e International Finance Corporation.
No curto prazo, a possível listagem nos EUA reforça o objetivo da fintech de acelerar sua expansão. Portanto, com o avanço do mercado de IPOs e o aumento do uso de soluções financeiras digitais, a Maya avalia o momento ideal para consolidar sua entrada no mercado internacional.