Rússia pode bloquear exchanges cripto estrangeiras
A Rússia avalia impor bloqueios a exchanges estrangeiras enquanto consolida um marco regulatório para integrar ativos digitais ao sistema financeiro do país. A discussão ganhou ritmo porque autoridades e analistas entendem que as restrições podem surgir ainda neste verão. Sobretudo quando plataformas russas estiverem prontas para operar em larga escala e recuperar parte do volume migrado para fora do território nacional.
O Ministério das Finanças estima que o mercado local movimente cerca de 50 bilhões de rublos por dia, grande parte em operações fora de ambientes regulados. Além disso, Sergey Shvetsov, presidente do conselho de supervisão da Bolsa de Moscou, afirma que investidores pagam aproximadamente US$ 15 bilhões anuais em taxas para exchanges internacionais. Ele reforça que a bolsa pretende disputar esse espaço assim que houver segurança jurídica e autorização plena.
Pressão por regulamentação e possível impacto no setor
Nikita Zuborev, analista sênior do Bestchange.ru, considera plausível um bloqueio em massa de plataformas sem registro local. Ele explica que o órgão regulador Roskomnadzor pode adotar mecanismos já usados em outras restrições. Tais como remoção de DNS em servidores nacionais e ações contra ferramentas que ajudam usuários a contornar bloqueios.
Enquanto isso, exchanges estrangeiras devem continuar operando de forma habitual durante a fase final de estruturação técnica e legislativa. No entanto, após o lançamento completo de plataformas locais, Zuborev acredita que a fiscalização tende a se intensificar. Além disso, ele alerta que medidas rígidas podem levar parte do mercado a canais informais caso serviços estrangeiros não consigam obter licenças ou firmar parcerias com empresas domésticas.
Adoção de modelos externos e possíveis barreiras legais
Dmitry Machikhin, fundador da BitOK, avalia que a Rússia pode se inspirar no modelo de Belarus, onde transações com ativos digitais só podem ser feitas por empresas autorizadas no regime High-Tech Park. Desde 2024, pessoas físicas e autônomos no país vizinho estão proibidos de negociar fora de exchanges e corretores aprovados localmente.
No entanto, ele lembra que impedir completamente o acesso dos russos a plataformas estrangeiras é difícil, pois cabe às próprias empresas decidir aceitar ou rejeitar novos clientes. Ele cita que ao menos um milhão de usuários russos continuam ativos na Binance, apesar da saída oficial da companhia do país.
Para Ignat Likhunov, fundador da agência jurídica Cartesius, as ações de bloqueio são planejadas paralelamente à criação de uma zona branca com serviços regulados e permitidos. Segundo ele, é improvável que exchanges internacionais aceitem todas as exigências legais russas, o que pode resultar em restrições mais duras.
Reorganização do mercado e disputa por volume
As discussões mostram que o governo deseja redirecionar para plataformas locais parte do capital movimentado atualmente no exterior. Além disso, o objetivo inclui fortalecer a supervisão e reduzir o risco de operações fora do alcance das autoridades. A combinação dos US$ 15 bilhões pagos a empresas estrangeiras e dos 50 bilhões de rublos negociados diariamente reforça a pressa por mudanças.
O mercado cripto pode enfrentar um período de adaptação caso as medidas avancem. Ainda assim, especialistas afirmam que a demanda continuará forte. E a reação dos usuários dependerá de como o governo estruturará o acesso seguro e eficiente a plataformas nacionais.