Projeto Clarity trava após críticas ligadas à família Trump
A CEO da Custodia, Caitlin Long, afirmou durante o ETH Denver que a família do presidente Donald Trump contribuiu para o impasse do projeto de lei Clarity no Congresso dos Estados Unidos. Segundo Long, o envolvimento de membros da família em memecoins e iniciativas ligadas ao setor cripto ampliou tensões políticas e reduziu o apoio bipartidário necessário para avançar com o texto.
Tensões políticas e impacto direto no setor cripto
Long destacou que projetos associados aos Trump, como memecoins e a plataforma World Liberty Financial, alteraram a percepção de vários legisladores sobre o ecossistema cripto. Assim, antigos apoiadores da pauta passaram a demonstrar resistência. Além disso, esse cenário fortaleceu discursos contrários à regulação clara do setor.
A CEO relembrou declarações da senadora Cynthia Lummis, uma das principais vozes pró-cripto no Senado. A parlamentar reconheceu que a maior exposição da família Trump no mercado testou esforços anteriores para construir uma frente sólida em defesa da proposta. No entanto, Long afirmou que ainda existe espaço para consenso, embora o avanço dependa da disposição política de ambas as partes.
O projeto Clarity surgiu com a proposta de definir regras objetivas para a supervisão de ativos digitais nos EUA. Ele organiza atribuições entre órgãos como a SEC e a CFTC, oferecendo um ambiente regulatório mais claro para empresas, investidores e desenvolvedores. Portanto, defensores acreditam que a aprovação do texto traria maior previsibilidade e competitividade ao país.
Tramitação, entraves e disputas internas no Senado
Long relembrou que o deputado French Hill apresentou o projeto ao Congresso em maio de 2025. A Câmara aprovou o texto em julho, o que elevou expectativas no setor cripto. Apesar disso, divergências sobre temas como DeFi e normas específicas para stablecoins impediram o avanço no Senado. Assim, os desacordos criaram um bloqueio difícil de contornar.
A CEO também alertou que a fragmentação das visões políticas dificulta ainda mais a votação final. Segundo ela, detalhes técnicos que poderiam ser resolvidos com diálogo se tornaram pontos de disputa ideológica. Como resultado, o Clarity permanece parado, mesmo diante da pressão de empresas que aguardam definições regulatórias.
Diante do impasse, Long observou que reguladores podem adotar regras administrativas para suprir temporariamente a falta de diretrizes. No entanto, ela reforçou que essas normas poderiam mudar com uma nova administração, o que ampliaria a incerteza jurídica. Portanto, apenas uma lei aprovada pelo Congresso garantiria estabilidade duradoura.
Impactos atuais da indefinição regulatória
Long ressaltou que a demora para votar o Clarity já afeta empresas que operam no mercado cripto. Muitas precisam de classificações e regras oficiais para lançar produtos, expandir serviços ou captar investimentos. Além disso, a indefinição abre espaço para interpretações divergentes entre órgãos reguladores.
Segundo a CEO, o ambiente de incerteza reduz a competitividade dos EUA na corrida global pela inovação em ativos digitais. Ela reforçou que outros países avançam com estruturas regulatórias claras, enquanto o mercado norte-americano enfrenta obstáculos internos movidos por tensões políticas e disputas partidárias. Assim, o destino do projeto permanece indefinido e com efeitos diretos no setor.