Coreia do Sul recupera Bitcoin após golpe de phishing

As autoridades da Coreia do Sul confirmaram a recuperação de 320,8 Bitcoin, devolvidos meses após um golpe de phishing que drenou ativos digitais do Ministério Público. O caso reacendeu um debate sobre segurança na custódia estatal de criptoativos, além de pressionar órgãos públicos a revisar seus protocolos.

De acordo com o Ministério Público do Distrito de Gwangju, os hackers enviaram os fundos devolvidos no início da semana. Dados on-chain mostraram que os ativos, avaliados em cerca de US$ 21 milhões, transitaram por diversos endereços antes de retornarem a uma carteira controlada pelas autoridades sul-coreanas. Esse movimento surpreendeu investigadores, pois indicou recuo por parte dos golpistas.

O golpe havia sido identificado no mês anterior, quando promotores notaram a ausência de uma grande quantidade de Bitcoin apreendido em investigações antigas. Uma auditoria interna revelou que, em agosto, investigadores acessaram um site falso, o que permitiu que criminosos esvaziassem as carteiras sob custódia oficial. Assim, o incidente expôs fragilidades no manejo interno dos ativos.

Os Bitcoins desviados foram apreendidos pela primeira vez em 2021, durante uma investigação sobre apostas ilegais. No entanto, após detectarem o sumiço recente, autoridades iniciaram medidas emergenciais para rastrear os fundos. Entre elas, bloquearam possíveis transações ligadas aos hackers em exchanges sul-coreanas e solicitaram cooperação de plataformas estrangeiras. Essas ações, conforme comunicado oficial, teriam pressionado os golpistas a devolver o valor.

Falhas de segurança intensificam pressão sobre autoridades

A devolução dos fundos aliviou a pressão imediata sobre os promotores de Gwangju. No entanto, outro problema grave foi descoberto na revisão nacional de segurança para ativos digitais. Durante esse processo, o Departamento de Polícia de Gangnam, em Seul, identificou o desaparecimento de 22 Bitcoin que haviam sido entregues voluntariamente à polícia em 2021. Como a investigação original fora suspensa, ninguém percebeu o sumiço por anos.

A auditoria apontou que a carteira física usada para armazenar esses ativos não havia sido furtada. No entanto, os Bitcoins simplesmente desapareceram sem rastros, o que levantou suspeitas sobre possíveis falhas internas ou envolvimento de funcionários. Por isso, a Agência Policial da Província de Gyeonggi Norte iniciou uma nova investigação para identificar como ocorreu o vazamento.

Esses episódios aumentam a pressão sobre o governo, especialmente porque o país está às vésperas da segunda fase da Lei de Proteção ao Usuário de Ativos Virtuais. Essa normativa deve impor regras mais rígidas para custódia e supervisão de criptoativos. Além disso, órgãos financeiros já realizam inspeções adicionais em exchanges locais após o incidente do chamado “Bitcoin fantasma” na Bithumb, quando 620 mil BTC foram distribuídos acidentalmente, criando forte distorção de mercado.

Impactos no setor e novas diretrizes em avaliação

Devido a esses acontecimentos, a Comissão de Serviços Financeiros avalia novas normas para responsabilização criminal em casos envolvendo manipulação de preços. As propostas incluem mecanismos para confiscar lucros ilegais e assegurar a preservação antecipada de valores recuperáveis, reforçando práticas de proteção ao investidor.

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Bitcoin opera a US$ 66.198 no gráfico semanal. Fonte: BTCUSDT no TradingView

No curto prazo, a devolução dos ativos recuperados reduz críticas contra o Ministério Público de Gwangju. No entanto, o desaparecimento de outros fundos e as falhas reveladas em delegacias mostram a necessidade urgente de reforçar os sistemas de segurança. Portanto, autoridades afirmam que as investigações continuam e que pretendem esclarecer completamente a cadeia de responsabilidades.