Policiais da Malásia presos por extorsão com criptomoeda

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Doze policiais da Malásia foram presos após serem acusados de extorquir cerca de 200 mil ringgit em criptomoeda durante uma operação no estado de Selangor. A denúncia, apresentada no início de fevereiro por um cidadão chinês, reacendeu o debate sobre abuso de autoridade e práticas de corrupção dentro das forças de segurança do país. O valor tomado, equivalente a aproximadamente US$51 mil, teria sido transferido de forma forçada durante uma ação policial conduzida na madrugada.

Extorsão digital aumenta pressão sobre forças de segurança

Segundo o chefe de polícia de Selangor, Shazeli Kahar, os agentes foram detidos após uma das oito vítimas registrar o caso em 6 de fevereiro. As vítimas têm entre 25 e 45 anos, conforme relatado pela imprensa local. Elas afirmaram que os policiais invadiram um bangalô no distrito de Kajang, próximo a Kuala Lumpur, por volta da meia-noite. Além disso, relataram a apreensão de celulares e laptops durante a abordagem.

A denúncia indica que um dos cidadãos chineses foi obrigado a transferir seus ativos digitais para uma conta determinada pelos policiais. A investigação classifica o caso como roubo em grupo envolvendo extorsão de ativos digitais pertencentes a um estrangeiro. De acordo com Shazeli, as autoridades iniciaram o processo investigativo imediatamente após o registro da ocorrência, reforçando que não haverá tolerância para condutas criminosas dentro da corporação.

Cripto aparece no centro das investigações

O anúncio das prisões ocorreu dias depois de o rei da Malásia, Sultan Ibrahim Iskandar, alertar sobre o avanço da corrupção em agências governamentais. Em suas redes sociais, o monarca afirmou ter acesso a informações independentes sobre práticas ilícitas envolvendo a polícia, autoridades de imigração, departamento de alfândega e a Comissão Anticorrupção da Malásia. Além disso, reforçou a necessidade de reforçar controles internos.

As declarações surgiram em meio a críticas ao primeiro-ministro Anwar Ibrahim, que decidiu manter no cargo o chefe da Comissão Anticorrupção, Azam Baki. Ele enfrenta alegações sobre participações acionárias ilegais. A instituição negou as acusações, inicialmente publicadas pela Bloomberg, e Azam abriu um processo por difamação contra o veículo. No entanto, o episódio ampliou as discussões sobre a credibilidade das instituições públicas.

Desde que assumiu o governo em 2022, Anwar tem promovido medidas voltadas ao combate à corrupção, com foco em servidores de alto escalão e figuras políticas. Assim, o caso envolvendo extorsão digital reforçou a demanda por supervisão rigorosa dentro das forças de segurança. Também elevou a pressão sobre a necessidade de reformas estruturais para evitar novos episódios semelhantes.

A investigação continua, e as autoridades não informaram se novas prisões serão realizadas. Até o momento, o foco está na análise do material apreendido e na responsabilização dos agentes envolvidos. Portanto, o caso segue como um dos mais emblemáticos do ano, destacando a ligação entre práticas corruptas e crimes envolvendo ativos digitais, além de acender um alerta sobre a atuação de grupos organizados dentro das instituições públicas.

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