USDT registra maior queda desde colapso da FTX

O USDT, maior stablecoin do mercado global, enfrenta sua queda mais expressiva desde 2022, quando o colapso da FTX provocou forte instabilidade no setor. O fornecimento circulante do token diminuiu 1,7% ao longo de fevereiro, equivalente a US$ 1,5 bilhão. Esse movimento indica redução de liquidez e maior cautela entre investidores, além de possível enfraquecimento das operações especulativas no curto prazo.

Entre o início de janeiro e meados de fevereiro, o valor de mercado do USDT caiu de mais de US$ 187 bilhões para cerca de US$ 184,3 bilhões. Analistas do setor apontam que o volume crescente de resgates impulsionou esse recuo, pois usuários convertem seus tokens em dinheiro fiduciário para retirar capital ou realocar recursos em outros ativos digitais. Assim, a redução ocorre de forma estruturada, acompanhada da queima de unidades pela Tether.

Quedas impulsionadas por resgates e queimas

A Tether realizou novas queimas significativas em fevereiro. Em 10 de fevereiro, a plataforma Whale Alert registrou que a empresa queimou 3,5 bilhões de USDT, após eliminar outros 3 bilhões no mês anterior. Esse processo é comum e segue o fluxo de resgates, reduzindo a oferta de forma proporcional à demanda.

Esse cenário ganhou destaque devido ao papel essencial das stablecoins no ecossistema de cripto. Elas funcionam como meio de liquidação, reserva de valor e ferramenta de transferência entre plataformas. Além disso, com um mercado que supera US$ 300 bilhões, movimentos bruscos na oferta impactam a liquidez disponível em negociações, operações de DeFi e transações internacionais.

Liquidez pressionada no mercado de cripto

A queda na oferta do USDT afeta diretamente a profundidade de mercado. Quando a stablecoin perde volume, corretoras observam menor liquidez nos pares de negociação e protocolos de finanças descentralizadas precisam ajustar seus pools. Portanto, cada movimentação expressiva na oferta influencia diferentes segmentos do setor, desde traders de alta frequência até investidores de longo prazo.

Mesmo com a redução, o USDT permanece negociado próximo a US$ 1. Esse equilíbrio sugere estabilidade operacional, embora a manutenção dessa tendência dependa da intensidade dos resgates. Caso a oferta continue caindo, o impacto poderá se estender, pressionando mercados emergentes e áreas que dependem de grande disponibilidade de liquidez.

Influência da regulação no comportamento dos investidores

A regulamentação também influencia o momento atual. O marco europeu MiCA estabelece normas mais rigorosas para emissores de stablecoins e prestadores de serviços. Além disso, muitos investidores buscam tokens que se alinhem a exigências de conformidade, como o USDC e versões digitais lastreadas em euro. Embora o MiCA já esteja em vigor, sua aplicação total ocorrerá apenas em 1º de julho de 2026.

O recuo de US$ 1,5 bilhão no fornecimento, somado às queimas de 3,5 bilhões e 3 bilhões realizadas pela Tether, reforça a leitura de que uma retirada expressiva de capital está em curso. Esses fatores afetam imediatamente a liquidez e sinalizam mudanças relevantes no fluxo de capital do setor. Portanto, os próximos meses podem trazer novas reorganizações, especialmente se a tendência de resgates persistir.