Debate sobre risco do Bitcoin no padrão Basel III
Classificação de risco do Bitcoin no centro das discussões
O CEO da Strategy, Phong Le, reacendeu o debate sobre o tratamento dado ao Bitcoin pelas regras internacionais de capital bancário. Segundo ele, o peso de risco de 1.250% definido pelos padrões do Comitê de Basel limita a atuação de bancos regulados com ativos digitais. Além disso, o tema voltou aos holofotes após um gráfico divulgado no X comparar diferentes classes de ativos e revelar que dinheiro físico, ouro e Treasuries dos EUA recebem peso 0%.
Le afirmou que a questão é estrutural, pois os critérios de Basel moldam como países aplicam suas normas bancárias. Assim, ele argumenta que os Estados Unidos precisam revisar o enquadramento do Bitcoin se quiserem liderar o setor global de cripto. Segundo o executivo, a classificação atual interfere diretamente na competitividade das instituições financeiras americanas.
Peso de risco de 1.250% coloca o Bitcoin no topo da tabela
O gráfico compartilhado no X apresenta pesos que variam de 0% a 1.250%. Dinheiro e reservas de bancos centrais aparecem com peso 0%, assim como ouro físico e Treasuries. Dívidas corporativas oscilam entre 20% e 75%. Já ações públicas chegam a 300%, enquanto private equity ultrapassa 400%. No topo isolado surge o Bitcoin com 1.250%.

Basel III-style risk weights | Fonte: X @PunterJeff
Jeff Walton, autor do gráfico, destacou a discrepância entre o tratamento dado ao Bitcoin e ao ouro. Para ele, o peso de risco atribuído ao ativo digital distorce sua avaliação real. Portanto, se os EUA desejam ocupar posição central no mercado cripto, precisam revisar sua regulamentação bancária.
Conner Brown, chefe de Estratégia do Bitcoin Policy Institute, também criticou o peso de risco de 1.250%. Segundo ele, essa classificação torna inviável que bancos mantenham Bitcoin em seus balanços, já que a exigência de capital próprio sobe drasticamente. Assim, para cada US$ 1 em Bitcoin custodiado, seria necessário reservar US$ 1 em capital. Enquanto isso, o ouro recebe tratamento equivalente ao dinheiro, sem custos significativos.
Impactos para competitividade bancária e inovação
Brown argumentou ainda que o Bitcoin apresenta características que poderiam reduzir riscos, como negociação contínua, auditoria rápida, liquidação global e oferta fixa. No entanto, a regulamentação atual cria barreiras artificiais que afastam bancos do setor. Além disso, esse cenário empurra serviços de custódia para empresas não bancárias e para regiões com exigências mais brandas.
Na visão dele, isso prejudica a competitividade dos bancos dos EUA e transfere inovação para outras jurisdições. Brown reforça que revisar o tratamento do Bitcoin dentro dos padrões Basel é essencial para evitar a perda de espaço internacional.
No momento dos dados citados, o Bitcoin era negociado a US$ 67.857. Esse valor reforça sua relevância no mercado e explica por que a discussão regulatória permanece central.

Bitcoin precisa se manter acima da EMA de 200 semanas, gráfico de 1 semana | Fonte: BTCUSDT on TradingView.com
As declarações de Le e Brown mostram como o peso de risco de 1.250% impacta decisões bancárias e dificulta operações com Bitcoin. Além disso, a comparação com ouro e Treasuries evidencia o quanto a atual classificação influencia custos e afeta a competitividade internacional do setor financeiro dos EUA.