Dificuldade do Bitcoin salta 15% após tempestades nos EUA

A dificuldade de mineração do Bitcoin registrou um avanço superior a 15% após a forte onda de frio que atingiu os Estados Unidos. Com o restabelecimento da energia e o retorno das máquinas desligadas durante o mau tempo, o indicador atingiu aproximadamente 144,4 T, recuperando a queda recente e mostrando a rápida normalização da rede.

Mineração reage após a estabilização do clima

Durante o auge das tempestades, muitos mineradores norte-americanos interromperam as operações, o que reduziu o hashrate para cerca de 826 EH/s. Essa retração pressionou a dificuldade para baixo em quase 11%. No entanto, a recuperação da atividade foi imediata após o fim do fenômeno climático, indicando a sensibilidade da infraestrutura instalada no país.

Com o retorno dos equipamentos, o hashrate subiu novamente para próximo de 1 ZH/s, representando uma recuperação superior a 20% em relação ao ponto mais crítico. Portanto, a dificuldade ultrapassou inclusive os níveis anteriores à tempestade, ficando cerca de 2,4% acima do patamar registrado antes da queda.

Gráfico de mineração do Bitcoin

Fonte: Bitfinex no X

A normalização da dificuldade, porém, não beneficia todas as operações. Como a competição aumenta e os blocos voltam ao ritmo padrão, mineradores sem expansão de poder computacional podem ver a rentabilidade recuar. Além disso, o movimento ocorre em um momento de preços pressionados.

Pressão crescente sobre mineradores e o mercado

O mercado permanece fragilizado. O Bitcoin recuou do topo de US$ 126 mil para aproximadamente US$ 68.247. Assim, o preço atual está abaixo da base de custo de parte relevante dos mineradores, o que diminui margens e gera maior estresse financeiro para operações menos eficientes.

Segundo análises divulgadas pelo Bitfinex, o aumento de 15% na dificuldade torna a competição mais intensa, podendo elevar a venda de BTC por mineradores com custos altos para sustentar as operações.

“A competição pela mineração ficou ainda mais acirrada. Se o preço não acompanhar, a pressão vendedora pode aumentar entre os mineradores de custo elevado”, afirmou a empresa.

Atualmente, o mercado exibe baixa liquidez e sentimento enfraquecido. Portanto, cresce o risco de novas liquidações por parte de mineradores caso o preço permaneça abaixo do custo de produção.

Gráfico de custo de produção do Bitcoin

Fonte: Crypto Rover no X

Volatilidade e riscos associados à concentração da mineração

A oscilação recente da dificuldade evidencia a forte concentração de mineradores nos Estados Unidos. Assim, eventos climáticos extremos podem alterar rapidamente o hashrate global e influenciar toda a rede.

Além disso, essa concentração alimenta debates sobre possíveis vulnerabilidades, como riscos teóricos de coordenação entre grandes operações capazes de influenciar a segurança da rede. Em contraste, blockchains que utilizam proof of stake, como Ethereum e Solana, são vistas por analistas como mais resilientes a oscilações operacionais desse tipo.

No curto prazo, o salto na dificuldade e a retomada do hashrate mostram a restauração da capacidade plena dos mineradores após as tempestades. No entanto, o cenário reforça desafios econômicos, já que a combinação de preço mais baixo e competição crescente pressiona operações que já estavam próximas do limite financeiro.