Bitcoin cai forte e medo extremo domina o mercado

O mercado de cripto iniciou a semana em forte queda nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, após intensa pressão vendedora global. O Bitcoin liderou o movimento negativo enquanto o medo extremo tomou conta dos investidores. O valor total do setor caiu de US$ 2,33 trilhões para US$ 2,24 trilhões, um recuo que refletiu tensões geopolíticas, liquidações aceleradas e incertezas macroeconômicas. O Índice de Medo e Ganância atingiu apenas 5 pontos, um nível raro e associado a fases históricas de capitulação.

Sentimento em colapso e impacto direto no mercado

A queda abrupta do Índice de Medo e Ganância evidenciou a deterioração do humor dos investidores. Esse movimento reforçou um cenário dominado por vendas forçadas e deleveraging rápido. Assim, o comportamento dos preços passou a ser guiado mais pelo pânico coletivo do que pelos fundamentos dos ativos digitais, segundo analistas de mercado.

Abaixo, o gráfico mostra o colapso recente do sentimento do mercado:

Gráfico do Índice de Medo e Ganância
Fonte: X

Esse ambiente reforçou dúvidas sobre a capacidade do Bitcoin de atuar como reserva de valor em períodos de crise. Além disso, o contraste com o ouro voltou a ganhar força, já que o metal manteve seu papel tradicional como proteção contra instabilidade global.

Comparações com o ouro e críticas ao desempenho do Bitcoin

A discussão sobre o posicionamento do Bitcoin em relação ao ouro ganhou intensidade nos últimos dias. Críticos afirmam que a cripto ainda mostra volatilidade extrema e não cumpre funções equivalentes às do metal precioso. Essa visão foi reforçada pelo presidente da Sevens Report, Tom Essaye, que destacou a falta de estabilidade do ativo digital.

“O Bitcoin não substitui o ouro, não tem o mesmo propósito e não funciona como proteção contra inflação ou caos”, afirmou Essaye em declaração publicada no X.

No entanto, parte do mercado argumenta que comparações diretas podem ignorar as diferenças estruturais entre os dois tipos de ativos, sobretudo em ciclos de inovação financeira.

Pressões macroeconômicas e liquidações intensificam a queda

Além do sentimento negativo, decisões recentes do governo dos Estados Unidos aumentaram as incertezas globais. A administração de Donald Trump elevou tarifas de 10% para 15%, medida que ampliou o temor sobre desaceleração econômica e instabilidade no comércio internacional. Assim, o apetite por ativos de risco diminuiu de forma significativa.

Dados da plataforma CoinGlass indicaram cerca de US$ 480,6 milhões em liquidações nas últimas 24 horas, com predominância de posições compradas. Esse movimento acelerou a queda e intensificou a pressão no mercado de derivativos.

Possíveis desdobramentos e fatores a observar

Apesar do clima de aversão ao risco, alguns analistas avaliam que o setor continua descontado em relação a outros mercados financeiros. Além disso, elevados níveis de liquidez global podem favorecer uma retomada caso o ambiente macroeconômico mostre sinais de estabilização.

A comunidade também acompanha a possível aprovação do CLARITY Act, legislação que pode melhorar a segurança regulatória e reforçar a confiança dos investidores. No mercado tradicional, a valorização recente do ouro e da prata fornece um panorama adicional sobre as mudanças de preferência entre reservas globais.

No curto prazo, porém, o avanço do medo extremo, as tensões geopolíticas e as liquidações forçadas mantêm a pressão negativa. Portanto, o mercado segue em modo de cautela, aguardando novos sinais macroeconômicos para definir os próximos movimentos.