Saylor diz que ameaça quântica ao Bitcoin ainda está distante
O debate sobre os riscos da computação quântica voltou ao foco, e o Bitcoin permanece no centro das discussões. Em nova entrevista, Michael Saylor, chairman da Strategy, afirmou que possíveis impactos quânticos ainda estão a mais de uma década de distância. A avaliação surgiu durante conversa no podcast Coin Stories, apresentado por Natalie Brunell, onde o executivo destacou que os avanços atuais não representam ameaça imediata ao ativo digital. Assim, ele explicou que qualquer ruptura tecnológica exigiria coordenação entre bancos, empresas de tecnologia, reguladores e infraestrutura digital.
Segundo Saylor, essa preparação envolve atualizações graduais de software em sistemas essenciais. Além disso, ele destacou que a indústria cripto possui histórico robusto de adaptação, o que reduz riscos repentinos. De acordo com o executivo, o Bitcoin continua evoluindo de forma previsível, com reforço constante de segurança.
Bitcoin e o debate sobre segurança tecnológica
A visão de Saylor contrasta com a de outros nomes do setor. Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum, já comentou modelos que projetam avanços quânticos antes de 2030. Ele defende transição progressiva para mecanismos resistentes à tecnologia quântica. A Ethereum Foundation, inclusive, incluiu metas pós-quânticas em seu plano de segurança para 2026, além de criar uma equipe dedicada a esse tipo de pesquisa.
Analistas como Willy Woo também discutiram o tema, questionando se preocupações tecnológicas influenciaram a queda recente do Bitcoin. Atualmente, o ativo é negociado a US$63.374, acumulando recuo de 29 por cento no último mês. No entanto, parte dos especialistas aponta que fatores macroeconômicos e dinâmicas de mercado explicam melhor o movimento de baixa.
Mercado dos EUA e limitações de crédito afetam o preço
Brunell questionou por que o Bitcoin não superou picos anteriores. Saylor atribuiu o cenário à estruturação do mercado norte-americano. Segundo ele, o crescimento dos derivativos regulados reduziu oscilações, deixando o comportamento do ativo mais previsível.
Outro ponto levantado por Saylor envolveu o crédito lastreado em Bitcoin. Enquanto ações são usadas amplamente como garantia, detentores de Bitcoin ainda enfrentam restrições e juros elevados. Isso limita o uso financeiro do ativo e reduz seu potencial de valorização de curto prazo. Portanto, instituições tradicionais podem levar anos para integrar o Bitcoin a serviços de crédito e custódia.
O chairman comparou esse processo à adoção histórica de tecnologias como aviação e eletricidade, que evoluíram gradualmente até alcançar integração global. Assim, ele destacou que o Bitcoin possui apenas 17 anos e ainda vive sua fase de crescimento comercial.
Expansão do crédito digital e impacto no mercado cripto
Saylor também comentou o avanço de instrumentos de crédito digital, como o token US$STRC. Esses produtos tentam reduzir volatilidade por meio de estruturas mais rígidas de risco e colaterais maiores. Além disso, atraem investidores que preferem rendimento previsível em vez de exposição direta ao Bitcoin. De acordo com o executivo, essa diversificação amplia o alcance do mercado cripto ao atender diferentes perfis.
A Strategy continua como maior detentora corporativa de Bitcoin, com 717.722 BTC em carteira. A empresa mantém compras contínuas apesar das quedas recentes, reforçando confiança na adoção do ativo. Para Saylor, a evolução regulatória, estrutural e tecnológica ainda molda o mercado global.