Receita da Coinbase com stablecoins deve crescer sete vezes
A Coinbase pode viver um ciclo de forte expansão com stablecoins nos próximos anos. Segundo uma análise divulgada quando a Bloomberg Intelligence projetou um aumento expressivo, a receita anual de US$ 1,35 bilhão pode multiplicar por sete. Esse avanço tende a ocorrer devido ao crescimento global das transações com stablecoins, que ganham cada vez mais espaço em pagamentos cotidianos.
Os analistas apontam que a evolução do mercado transforma as stablecoins em infraestrutura financeira, ultrapassando seu papel original de instrumento para operações internas no setor de cripto. Nesse processo, o USDC se destaca pela adoção crescente fora do ambiente especulativo, reforçando sua presença como meio de pagamento recorrente.
Expansão do USDC fortalece receita operacional
Os dados da Bloomberg revelam que, apesar do prejuízo líquido de US$ 667 milhões no quarto trimestre de 2025, a parceria da Coinbase com a Circle segue sólida. Somente no período, o acordo de divisão de receitas gerou US$ 364 milhões, demonstrando a força do USDC como pilar do negócio.
No entanto, a análise também reforça o tamanho do mercado. Em 2025, o volume global de transações com stablecoins chegou a US$ 33 trilhões, sendo US$ 18,3 trilhões associados ao USDC. Assim, o ativo se consolida como um mecanismo de pagamentos eficiente, com menor exposição às oscilações do mercado de cripto.
Com a normalização das taxas de juros, o fluxo de transações deve ganhar importância como principal fonte de receita. Portanto, a tendência é transformar a área de stablecoins em um segmento fundamental dentro da operação da Coinbase.
Avanço regulatório impulsiona adoção institucional
A aprovação do Guiding and Establishing National Innovation for US Stablecoins (GENIUS) Act, em julho de 2025, criou um ambiente federal seguro para empresas que desejam utilizar stablecoins. Embora o texto impeça emissores como a Circle de oferecer juros sobre esses ativos, ele elimina incertezas regulatórias e reduz barreiras para sua adoção corporativa.
Além disso, a Coinbase passou a ter liberdade para oferecer soluções de liquidação com stablecoins para grandes empresas, sem o risco de mudanças bruscas nas regras. Isso amplia o potencial de uso do USDC em fluxos financeiros tradicionais.
Integrações estratégicas ampliam o alcance do USDC
Outro ponto decisivo é a integração do USDC ao sistema de pagamentos do Stripe, o que restabelece a aceitação de ativos digitais para milhões de comerciantes em todo o mundo. Assim, o volume de transações tende a crescer de forma contínua.
Ao mesmo tempo, a Base, solução de Layer 2 desenvolvida pela Coinbase, cria um ambiente de baixas taxas, permitindo que o USDC seja utilizado até em pagamentos pequenos. A agilidade e o custo reduzido das operações tornam o ativo uma alternativa eficiente aos meios tradicionais.
Nesse modelo, a empresa passa a se beneficiar tanto do uso intensificado da Base quanto da maior demanda por USDC, que alimenta esse ecossistema.
Perspectivas e riscos para o mercado
Se as projeções da Bloomberg se confirmarem, a receita da Coinbase com stablecoins pode superar outras áreas da companhia, reduzindo a exposição aos ciclos de volatilidade. No entanto, ainda existem fatores de risco, incluindo o avanço do CLARITY Act, legislação apoiada pelo setor bancário que tenta limitar recompensas oferecidas por exchanges.
Segundo analistas da Monness Crespi, previsões muito otimistas podem ignorar pressões políticas que afetam o setor. No entanto, o aumento do uso do USDC, somado ao avanço regulatório e a novas integrações comerciais, cria um cenário concreto de expansão para as receitas da Coinbase relacionadas às stablecoins.