Binance enfrenta pressão após inquérito do Senado dos EUA

A Binance voltou ao foco nos Estados Unidos depois que o senador democrata Richard Blumenthal abriu um inquérito para investigar supostas violações de sanções internacionais envolvendo a corretora. Relatos que apontam movimentações ligadas ao Irã reforçam a pressão política e regulatória sobre a plataforma.

Senado aumenta pressão sobre a corretora

Em uma carta enviada em 24 de fevereiro ao co-CEO Richard Teng, Blumenthal declarou que documentos internos e investigações jornalísticas sugerem que a empresa ignorou alertas relacionados a riscos de lavagem de dinheiro envolvendo entidades iranianas. Além disso, o senador afirmou que aproximadamente US$ 1,7 bilhão em transações conectadas ao Irã teriam circulado pela plataforma.

Segundo o documento, parte desses recursos estaria vinculada a organizações classificadas como terroristas pelos EUA e também a vendas ilegais de petróleo russo feitas por embarcações da chamada shadow fleet. Assim, o Senado exige que a corretora forneça relatórios completos sobre práticas de conformidade, registros de movimentações suspeitas, interações com empresas sancionadas e medidas internas adotadas nos últimos anos.

A Subcomissão Permanente de Investigações estabeleceu o prazo de 6 de março de 2026 para o envio de todos os materiais solicitados. Reforçando o caráter preliminar, porém rigoroso, da apuração em andamento.

Achados internos alimentam suspeitas

O inquérito se apoia em reportagens de veículos como The Wall Street Journal, The New York Times e Fortune. Segundo essas publicações, equipes internas de conformidade da corretora identificaram que duas empresas parceiras, Hexa Whale e Blessed Trust, estariam intermediando operações para escapar das sanções impostas aos iranianos.

Essas investigações internas teriam encontrado cerca de 2.000 contas suspeitas associadas a entidades do Irã, mesmo com políticas públicas da corretora que proíbem usuários do país. Além disso, documentos apontam possíveis vínculos entre a Hexa Whale. E o financiamento de grupos como os rebeldes houthis.

Outro ponto citado envolve transações em cripto direcionadas a carteiras atribuídas ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. Além de pagamentos para tripulantes de navios ligados à rede russa que tenta contornar sanções sobre o petróleo.

De acordo com Blumenthal, mesmo com recomendações internas, a corretora não teria fortalecido seus procedimentos de identificação de clientes. Portanto, alertas que sugeriam bloqueios de contas associadas à frota russa não avançaram. A carta menciona ainda que a Hexa Whale teria recebido status VIP. Embora houvesse suspeitas sobre documentos falsificados.

Corretora nega irregularidades

Antes do avanço do inquérito, a Binance declarou em 22 de fevereiro que realizou uma revisão interna. E não encontrou evidências de violações de sanções. A empresa também negou ter demitido investigadores que questionaram movimentações suspeitas.

Além disso, a corretora destacou que reforçou seus mecanismos de conformidade desde um acordo judicial firmado em 2023. Dados informados pela própria plataforma mostram redução da exposição a atividades ligadas a sanções, de 0,284% do volume negociado em janeiro de 2024 para 0,009% em julho de 2025. Transações com quatro corretoras iranianas também caíram de US$ 4,19 milhões para US$ 1,1 milhão.

A empresa afirmou que cerca de um quarto de sua força de trabalho atua diretamente no combate à lavagem de dinheiro e em processos de conformidade global.

Binance
Origem: BNBUSDT no TradingView.com

No momento das últimas atualizações, o token BNB era negociado a US$ 616. Em alta diária de 5%, impulsionado por um leve movimento de recuperação do mercado. Portanto, o cenário revela como a disputa entre autoridades dos EUA e a corretora ocorre em paralelo às oscilações do mercado. Ampliando a tensão sobre investidores.