Kalshi pune editor de MrBeast por insider trading

A plataforma de mercado de previsões, Kalshi aplicou uma multa pesada e suspendeu Artem Kaptur, editor de vídeos de MrBeast, após detectar uso de informação privilegiada em apostas relacionadas a marcos do YouTube. A investigação mostrou que o colaborador utilizou dados internos do canal para lucrar em contratos baseados no desempenho das publicações.

Segundo a apuração, Kaptur teve acesso antecipado a conteúdos inéditos e ao calendário de lançamentos dos vídeos, elementos que não eram públicos. Com essas informações, movimentou cerca de US$ 4.000 nos mercados de marcos do YouTube e obteve retorno aproximado de US$ 5.397. Como resposta, a plataforma determinou multa de US$ 20.397,58, além de suspender o editor por dois anos e informar o caso à Commodity and Futures Trading Commission (CFTC).

Regras de informação privilegiada ganham reforço na plataforma

O comportamento de Kaptur chamou atenção porque envolveu negociações em mercados que acompanham métricas como visualizações, alcance e desempenho de canais. Como editor responsável por efeitos visuais, ele acompanhava detalhes estratégicos dos vídeos, incluindo resultados de desafios e datas exatas de publicação. Assim, conseguiu operações com precisão considerada estatisticamente fora do padrão pelos sistemas internos da Kalshi.

Entre agosto e setembro de 2025, o editor registrou uma taxa de acerto quase perfeita, até mesmo em contratos classificados como de baixa probabilidade. Esses movimentos acionaram alertas automáticos dos mecanismos de vigilância da plataforma, que detectaram padrões incompatíveis com apostas regulares. Além disso, denúncias de usuários também contribuíram para acelerar o processo de investigação.

Segundo a empresa, sinais internos de mercado reforçaram a suspeita de operações baseadas em dados privados.

A Kalshi destacou que o uso de informações restritas viola seus termos de operação e compromete a integridade de mercados baseados em previsões. Quando participantes exploram dados indisponíveis ao público, ocorre desequilíbrio entre apostadores e distorção na formação de preços, afetando a confiança geral do ecossistema.

Impactos no setor e posicionamento das empresas envolvidas

A análise da plataforma indicou que, caso não fosse identificado, o esquema poderia se repetir por longos períodos. Cada novo vídeo de MrBeast teria potencial para gerar novos ganhos com risco reduzido, o que prejudicaria outros participantes e, portanto, ameaçaria a credibilidade dos mercados.

Em ambientes de grande volume, práticas desse tipo afastam investidores relevantes e diminuem a liquidez. Além disso, tornam mais provável a atuação de órgãos reguladores, que podem impor novas limitações às plataformas.

Em nota, a Beast Industries afirmou apoiar totalmente as medidas aplicadas pela Kalshi e reforçou que não tolera comportamentos semelhantes entre colaboradores. Essa postura demonstra alinhamento com regras federais voltadas à transparência de mercados regulados.

Com o encerramento da investigação e o repasse do caso à CFTC, a Kalshi reafirmou seu compromisso com a integridade dos mercados de previsão. A detecção rápida das operações suspeitas e a punição aplicada reforçam que a plataforma mantém mecanismos robustos para identificar irregularidades. E por conseguinte, evitar que informações internas causem distorções nos mercados.

O potencial de manipulação desses mercados tem chamado a atenção dos legisladores americanos.

No mês passado, um usuário do Polymarket apostou, de forma suspeita, US$ 32.000 na deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro até o final de janeiro. Poucas horas depois, os militares dos EUA capturaram Maduro, rendendo ao usuário um pagamento de US$ 400.000.

Em resposta, o deputado Ritchie Torres (D-NY) propôs uma legislação que tornaria ilegal para funcionários do governo negociar em mercados de previsão. Porquanto, mercados esses relacionados a políticas governamentais, ações governamentais ou resultados políticos.

Tarek Mansour, CEO da Kalshi, afirmou no LinkedIn, no mês passado, que apoia o projeto de lei. Visto que a Kalshi já cumpre as regras que ele imporia. Mansour alegou que os supostos casos de uso de informação privilegiada não ocorrem em plataformas sediadas nos EUA (tanto a Kalshi quanto a Polymarket estão sediadas nos EUA).

“Este projeto de lei americano aplica-se apenas a empresas americanas regulamentadas e não a empresas não americanas não regulamentadas, que é onde os alegados problemas estão ocorrendo”, escreveu Mansour. “Os mercados de previsão, como qualquer setor, não são um bloco monolítico: existem distinções importantes que fazem a diferença.”