Fraude da AAX acumula prejuízos e suspeito é indiciado

A crise envolvendo a AAX segue como um dos episódios mais marcantes do setor de cripto em Hong Kong. Novos dados divulgados pelo Escritório de Crimes Comerciais revelam que 191 vítimas registraram perdas que chegam a HK$81 milhões após a interrupção repentina das operações em 2022. Além disso, as autoridades apontam que valores expressivos em cripto desapareceram no mesmo período, ampliando as suspeitas de fraude.

Prejuízos e bloqueios após o colapso

O colapso começou em novembro de 2022, quando a AAX anunciou uma paralisação para manutenção. A justificativa gerou desconfiança, pois impediu saques, compras e transferências de ativos digitais. A plataforma, que contava com cerca de 2 milhões de contas registradas, encerrou suas atividades definitivamente em 16 de dezembro daquele ano.

No entanto, autoridades informaram que operadores ligados à empresa retiraram ativos equivalentes a HK$633 milhões pouco após o anúncio da suspensão. Assim, o caso ganhou contornos mais graves, já que as transações teriam ocorrido enquanto usuários não conseguiam acessar suas contas.

Clientes relataram falhas de login e indisponibilidade total dos saldos. O escritório da empresa em North Point também deixou de funcionar, enquanto funcionários eram desligados e a estrutura corporativa se desfazia rapidamente. Além disso, investigações sugerem que a suposta manutenção pode ter servido como cortina de fumaça para ocultar problemas de liquidez.

Indícios de operação interna coordenada

Segundo investigadores, a retirada de valores durante o congelamento das contas reforça suspeitas de que as comunicações públicas da empresa foram manipuladas para transmitir normalidade. De acordo com a imprensa local,  movimentações internas ocorreram paralelamente às dificuldades enfrentadas pelo público.

Autoridades afirmam que a AAX já enfrentava problemas financeiros sérios antes de anunciar a manutenção. Portanto, cresce a possibilidade de que o comunicado tenha sido usado para impedir saques enquanto ativos eram desviados.

Avanço das investigações e suspeitos detidos

Duas prisões haviam sido registradas antes da detenção de um terceiro envolvido. Uma delas foi a de Leung Ho-ming, diretor e acionista da Vigo Capital, e a outra foi a do fundador e ex-CEO Thor Chan. Ambos estão ligados à administração da plataforma.

No entanto, o principal suspeito, segundo o Escritório de Crimes Comerciais, seria So Wai-yee, de 39 anos. Ele deixou Hong Kong em novembro de 2022, no mesmo período em que a manutenção foi anunciada. Além disso, autoridades afirmam que sua viagem ocorreu justamente quando as retiradas internas começaram.

O suspeito foi detido ao retornar ao território em 18 de julho de 2024. Após consultar advogados, recebeu três acusações de furto e uma de fraude. As investigações continuam, enquanto novas evidências são analisadas e o trajeto dos ativos retirados é rastreado.

Perspectivas para as vítimas e próximos passos

A confirmação das perdas e o avanço das denúncias reforçam a gravidade do caso para os usuários que aguardam respostas. Além disso, as autoridades buscam identificar outros possíveis envolvidos e compreender a extensão das movimentações financeiras durante o período crítico.

Com investigações ainda em andamento, a expectativa é de que novos detalhes sejam revelados sobre o desvio de fundos e sobre a responsabilidade individual de cada suspeito. Portanto, o caso segue como um dos mais significativos envolvendo fraude em plataformas de cripto na região.