Citi integrará Bitcoin ao sistema financeiro tradicional

Infraestrutura do Citi avança para integração do Bitcoin

O Citigroup, gigante financeiro com US$ 25 trilhões em ativos sob gestão, está prestes a incorporar Bitcoin em sua estrutura de ativos tradicionais de US$ 30 trilhões. E revelou que está desenvolvendo uma plataforma institucional para integrar o Bitcoin ao sistema financeiro tradicional. O anúncio foi feito por Nisha Surendran, líder de desenvolvimento de custódia de ativos digitais, durante o evento Strategy World, promovido pela empresa Strategy.

Segundo Surendran, o projeto busca oferecer compatibilidade total entre o Bitcoin e os padrões bancários já utilizados pela instituição. Além disso, ela destacou que o desenvolvimento está estruturado em três pilares principais: custódia institucional, integração com sistemas de relatórios e taxas, e facilitação do acesso dos clientes aos ativos digitais.

Surendran explicou que o lançamento ocorrerá ainda este ano com foco em funcionalidades essenciais, incluindo proteção de ativos, gerenciamento de chaves e uma estrutura de carteira que funcionará alinhada aos serviços tradicionais do Citi. Assim, a plataforma permitirá que investidores institucionais acessem o Bitcoin sem lidar com desafios técnicos comuns, como chaves privadas ou carteiras próprias.

Plataforma unificada para ativos digitais e tradicionais

A implementação dará aos clientes a possibilidade de administrar suas posições em Bitcoin ao lado de produtos tradicionais. O Citi possui cerca de US$ 30 trilhões sob custódia em ativos distribuídos entre valores mobiliários e mercado monetário. Portanto, a proposta é aplicar ao Bitcoin os mesmos padrões de conformidade regulatória, relatórios e processos fiscais usados nas operações convencionais.

Surendran reforçou que toda a infraestrutura técnica permanecerá sob responsabilidade da instituição, reduzindo barreiras para investidores que buscam segurança e eficiência ao se expor ao mercado de ativos digitais. Dessa forma, a adoção tende a se tornar mais prática para grandes players institucionais.

Projeções de preço e avanços de outras instituições

No fim de 2025, analistas do Citi divulgaram projeções indicando que o Bitcoin poderia alcançar US$ 143.000 em 2026. O cenário mais otimista apontava valores acima de US$ 189.000, enquanto o mais conservador estimava retração para cerca de US$ 78.500. Essas estimativas consideravam principalmente a maior adoção por meio de ETFs e avanços regulatórios nos Estados Unidos.

Na época da projeção, o ativo era negociado próximo de US$ 88.000, cerca de 30 por cento abaixo do recorde registrado meses antes. No entanto, o valor atual permanece abaixo de US$ 67.000, reforçando o impacto das condições de mercado e da volatilidade.

O movimento do Citi ocorre simultaneamente ao de outras instituições de Wall Street. Durante o Strategy World, o Morgan Stanley detalhou seus planos para ampliar serviços ligados a ativos digitais. Além disso, o banco prepara o lançamento de uma plataforma própria de custódia e negociação, cuja implementação acontecerá de forma gradual ao longo do próximo ano.

Expansão institucional impulsiona adoção do Bitcoin

A primeira etapa permitirá que clientes da E-Trade negociem ativos digitais por meio de uma parceria estratégica. Posteriormente, a plataforma completa será disponibilizada com serviços integrados de custódia e negociação. O banco afirmou que o sistema dará aos clientes controle legal sobre seus ativos, embora muitos investidores devam preferir a autocustódia, especialmente no caso do Bitcoin.

O Morgan Stanley avalia ainda a criação de produtos de rendimento e empréstimo relacionados a ativos digitais, buscando atrair clientes que mantêm participações fora de seus sistemas internos. A instituição possui cerca de US$ 8 trilhões em sua base patrimonial.

A soma dos anúncios do Citi e Morgan Stanley evidencia uma aceleração na integração do Bitcoin ao setor financeiro tradicional. Assim, o movimento reforça o avanço institucional e aponta para um cenário em que produtos regulados podem ampliar a exposição segura ao ativo.