Bitcoin cai após tensão geopolítica e repete padrão histórico
O Bitcoin voltou a registrar forte volatilidade após os recentes ataques dos EUA contra o Irã. O movimento reacendeu um padrão histórico em que choques geopolíticos provocam quedas imediatas, seguidas por períodos de recuperação. Nas últimas horas, o mercado aumentou sua aversão ao risco, e o ativo refletiu esse cenário de incerteza internacional.
Reação do mercado diante das tensões globais
Especialistas afirmam que essa resposta não surpreende. Em 2022, durante o avanço militar da Rússia sobre a Ucrânia, o Bitcoin caiu com força antes de subir quase 40% nos meses seguintes. Além disso, em 2025, quando Israel intensificou ataques contra o Irã, o ativo também recuou de imediato e, posteriormente, recuperou aproximadamente 25%.
O analista de criptomoedas Ted Pillows compartilhou um gráfico semanal que mostra o comportamento do Bitcoin durante escaladas diplomáticas anteriores, o comportamento atual se assemelha a esses dois episódios. O padrão mostra que o mercado costuma sentir o impacto inicial para depois buscar estabilização e retomada.

Bitcoin Price Chart. Fonte: @TedPillows
No episódio recente envolvendo o Irã e os EUA, o Bitcoin voltou a oscilar de forma intensa. Ainda assim, analistas avaliam que esse choque não foge do padrão histórico observado em décadas anteriores.
Oscilações rápidas tendem a ser revertidas
Outro analista, conhecido como Sherlock, destacou que movimentos bruscos ocorridos em fins de semana costumam ser revertidos com agilidade. Em 2024, segundo ele, quedas entre 3% e 8% desapareceram em até 48 horas. Em 2025, após um ataque dos EUA ao Irã, o Bitcoin caiu 6% e recuperou tudo até o domingo, iniciando depois uma alta de 62% em dois meses, renovando sua máxima histórica em outubro.
BTCUSD negociado a US$ 66.553. Fonte: TradingView
Correção prolongada influencia o cenário atual
Diferente de 2025, quando o ativo seguia forte tendência de alta, o momento atual é marcado por uma correção extensa. O Bitcoin soma cinco meses consecutivos de queda e acumula retração de 48% em relação ao topo histórico. Além disso, os dois primeiros meses de 2026 já representam o pior início de ano da história, com baixa de 24% desde janeiro.
Indicadores de sentimento reforçam, decerto, a pressão negativa. O Índice de Medo e Ganância permanece em zona de medo extremo há mais de 20 dias. O RSI semanal também opera em seu menor nível já registrado, enquanto o uso de alavancagem caiu de forma significativa, com o open interest em patamares reduzidos.
Em momentos anteriores, o pânico se instalava logo após o choque geopolítico, dessa forma, gerando liquidações amplas. No entanto, muitas liquidações já ocorreram antes do ataque atual, por conseguinte, diminuindo a pressão vendedora adicional e reduz a probabilidade de quedas prolongadas daqui para frente.
Nesse sentido, analistas observam que o impacto principal das tensões já foi absorvido. Portanto, o ativo pode buscar estabilização mais cedo, embora a evolução do conflito entre EUA e Irã continue determinante para o desempenho nos próximos dias.