Irã enfrenta queda de 80% no volume cripto após ataques
O Irã registrou uma forte contração no mercado de cripto após os ataques conduzidos pelos EUA e Israel. Um relatório da TRM Labs aponta que os volumes de transações despencaram cerca de 80%, embora a infraestrutura local continue funcional. Além disso, a empresa destaca que não há sinais de colapso sistêmico no ecossistema.
A queda ocorreu em meio à intensificação das restrições de internet, que limitaram o acesso dos investidores às exchanges. No entanto, a TRM Labs afirma que o cenário representa uma reação de contenção de riscos, e não um processo de insolvência. Portanto, o enfraquecimento das operações deriva principalmente dos apagões de conectividade e de medidas de segurança iniciadas pelas próprias corretoras.
Fatores que levaram à queda no volume de transações
Entre 27 de fevereiro e 1º de março, os volumes de negociação recuaram quase 80%. A redução coincide com severas interrupções de internet após os ataques de 28 de fevereiro. Assim, muitos usuários perderam acesso às plataformas e não conseguiram executar transações, o que provocou uma paralisação abrupta do mercado.
No entanto, análises de outras empresas apresentaram interpretações diferentes. A Elliptic relatou aumento de 700% nos fluxos de saída da Nobitex, maior exchange do país, levantando hipóteses de fuga de capitais. Ainda assim, a TRM Labs avalia que os dados não sustentam essa leitura.
Segundo a TRM Labs, a Nobitex movimentou cerca de US$ 3 milhões em entradas e saídas combinadas, volume dentro de padrões usuais. Além disso, a empresa ressalta que as oscilações decorreram de limitações de acesso e não de corridas por saques.
Impactos dos ataques e das restrições de conectividade
A retração reflete os impactos imediatos da instabilidade causada pelos ataques militares. As interrupções de internet funcionaram como barreira mecânica, impedindo investidores de negociar Bitcoin e outros ativos. No entanto, esse comportamento costuma ocorrer em regiões sob conflito, onde a resiliência da infraestrutura define o ritmo do mercado.
O ambiente sancionado do Irã também agrava a situação. Autoridades dos EUA seguem monitorando possíveis violações envolvendo stablecoins e exchanges centralizadas. Portanto, diversas plataformas internacionais bloqueiam endereços IP iranianos para cumprir normas do OFAC, o que reduz ainda mais a liquidez para usuários locais.
Mercado segue ativo apesar das limitações operacionais
Mesmo com a queda acentuada, o ecossistema iraniano continua operando. Exchanges locais executaram medidas de gestão de risco e mantiveram a continuidade de serviços essenciais. Além disso, o banco central orientou plataformas como Nobitex, Wallex e Tabdeal a suspender temporariamente o par USDT-toman, usado como ponte entre cripto e moeda fiduciária.
Quando retomadas, as negociações exibiram menor profundidade e distorções momentâneas nos preços, indicando liquidez reduzida. Assim, a TRM Labs destaca que as pausas foram preventivas e motivadas por segurança operacional, e não por insolvência.
No curto prazo, a análise dos fluxos deve permanecer limitada até que a conectividade seja normalizada. No entanto, os dados indicam uma paralisação técnica, e não liquidação generalizada de ativos. As divergências entre TRM Labs e Elliptic reforçam a complexidade de monitorar regiões sob sanções, especialmente durante períodos de conflito.