Ray Dalio critica Bitcoin como refúgio seguro
O investidor bilionário Ray Dalio voltou a criticar o papel do Bitcoin como reserva de valor durante sua participação no All-In Podcast. Ele disse que a criptomoeda não deve ser comparada ao ouro, já que não conta com suporte institucional nem com adoção por bancos centrais, fatores essenciais para sustentar um ativo considerado seguro.
Segundo Dalio, o Bitcoin carece de características tradicionais de proteção. Além disso, ele afirmou que a transparência total da blockchain e potenciais riscos tecnológicos, como avanços em computação quântica, podem comprometer a durabilidade do ativo no longo prazo. Assim, ele acredita que a criptomoeda não oferece segurança consistente para preservar riqueza nas próximas décadas.
Reação de Bitcoin e ouro em meio à tensão geopolítica
As falas de Dalio surgiram no momento em que tensões entre Estados Unidos e Irã pressionaram os mercados globais. No entanto, tanto ouro quanto Bitcoin mostraram comportamento instável durante o período, frustrando investidores que buscavam proteção.
O ouro subiu após os primeiros ataques militares, mas perdeu força conforme o mercado avaliou possíveis impactos no fornecimento de petróleo. Já o Bitcoin recuou no sábado, avançou no domingo após relatos sobre a morte do líder iraniano Ali Khamenei e encontrou barreira na região dos US$ 70 mil.
Esse desempenho irregular indicou que os dois ativos reagiram mais ao clima geopolítico e às variações macroeconômicas do que ao comportamento típico de um hedge. Portanto, o movimento reforçou o argumento de Dalio sobre a ausência de estabilidade em ambos durante a semana de maior incerteza.
Ativos de proteção sob avaliação dos investidores
O cenário destacou dúvidas crescentes entre investidores sobre quais ativos realmente defendem portfólios em períodos de crise. Além disso, o movimento do Bitcoin foi observado de perto devido à sua reputação entre parte do mercado como possível alternativa ao ouro.
Dalio mantém pequena exposição ao Bitcoin
Mesmo com críticas, Dalio afirmou que mantém uma parcela reduzida de Bitcoin em seu portfólio. Ele disse que cerca de 1 por cento de seus investimentos está alocado no ativo como forma de diversificação, sem intenção de tratá-lo como substituto ao ouro.
Ele lembrou ainda que, em julho de 2025, recomendou alocar até 15 por cento da carteira combinando Bitcoin e ouro. Segundo Dalio, a orientação buscava equilibrar risco e retorno diante da escalada da dívida pública dos Estados Unidos, além de oferecer proteção moderada em cenários econômicos complexos.
Estratégias de diversificação continuam em debate
O alerta de Dalio ecoa entre investidores que buscam ajustar portfólios ao ambiente de volatilidade. Assim, discussões sobre combinações entre ativos tradicionais e digitais permanecem relevantes.
Transparência e riscos tecnológicos preocupam Dalio
Dalio também destacou que a transparência da blockchain afasta instituições centrais. Como todas as transações ficam registradas em livro público, autoridades podem acompanhar a movimentação da rede, algo que contrasta com a privacidade do ouro físico.
Outro ponto citado envolve riscos ligados à computação quântica. Segundo Dalio, avanços nessa área podem afetar a segurança das estruturas de cripto, levantando dúvidas sobre a resistência do Bitcoin a ameaças tecnológicas futuras. Portanto, essa possibilidade adiciona incerteza ao papel da criptomoeda como proteção no longo prazo.
Ele alertou ainda que a ordem financeira global liderada pelos Estados Unidos passa por mudanças profundas. Assim, investidores precisam reavaliar suas estratégias de proteção e considerar como fatores geopolíticos e tecnológicos moldam a economia atual.
As observações do gestor reacenderam discussões sobre o Bitcoin como ativo de proteção, destacando questões institucionais, geopolíticas e tecnológicas que influenciaram seu comportamento recente.