Bitcoin avança a US$70 mil em meio à pressão dos juros
O Bitcoin voltou a superar US$70.000 após registrar alta semanal próxima de 10 por cento. O movimento ocorre enquanto os mercados globais tentam se estabilizar após uma forte liquidação provocada por tensões geopolíticas. Apesar da recuperação parcial de ações e cripto, o mercado de títulos dos Estados Unidos ainda indica forte aversão ao risco, refletida na nova alta dos rendimentos dos Treasuries.
No entanto, dados do CME mostram que a probabilidade de dois cortes de 25 pontos-base na taxa do Federal Reserve em 2026 caiu para menos de 50 por cento. Antes do início do conflito no Oriente Médio, esse número chegou perto de 80 por cento. Além disso, o avanço do petróleo segue influenciando essas expectativas. Com riscos na cadeia de suprimentos e aumento da demanda por proteção, investidores projetam inflação mais resistente, reduzindo as apostas em cortes de juros.
Impacto dos rendimentos dos Treasuries no Bitcoin
O rendimento do Treasury de 10 anos acumula quatro dias consecutivos de alta, avançando de 3,93 por cento para 4,15 por cento. Esse avanço pressiona ativos sem rendimento, como o Bitcoin, já que eleva o custo de oportunidade para investidores expostos a volatilidade. Assim, o cenário cria barreiras para uma recuperação mais consistente do mercado.
Com yields elevados, o avanço recente de ações e cripto pode perder força enquanto os preços da energia não derem sinais de estabilidade. Historicamente, períodos prolongados de juros altos reduzem o apetite por risco e afastam parte dos investidores institucionais.
A correlação entre Bitcoin e mercados tradicionais também se intensificou. Analistas destacam que a correlação de 30 dias entre Bitcoin e o índice S&P 500 subiu para 0,55. Portanto, mesas institucionais seguem tratando o ativo como um proxy tecnológico de alta volatilidade, e não como uma reserva de valor alternativa.
Os dados recentes reforçam essa leitura. Quando os futuros do S&P 500 recuaram para 6.718 pontos após notícias de tensão no Estreito de Ormuz, o Bitcoin caiu e tocou a região de US$65.000. A recuperação posterior do índice, voltando para 6.840 pontos, levou o Bitcoin rapidamente de volta à faixa de US$74.000.
O Fed está encurralado. Petróleo perto de US$82, inflação em alta, ações caindo e crescimento desacelerando. A taxa atual não permite cortes. E não agir pode ser ainda pior. A estagflação já está presente.
Estrutura técnica do Bitcoin acima de US$70 mil
A recuperação até US$70.000 mantém a estrutura técnica de alta, embora o preço ainda enfrente barreiras importantes. No gráfico diário, o ativo segue comprimido dentro de um triângulo simétrico, padrão que costuma anteceder forte expansão de volatilidade. Além disso, indicadores apontam falta de direção clara no curto prazo.
O suporte imediato permanece em US$65.000. Caso o ativo perca esse nível em fechamento diário, o movimento pode buscar a faixa entre US$58.000 e US$62.000, que coincide com a média móvel de 200 dias. No entanto, enquanto o suporte se mantém firme, compradores sustentam a estrutura bullish.
Do lado superior, a resistência mais relevante aparece em US$74.000. Romper essa região é crucial para confirmar retomada consistente da tendência de alta. O RSI próximo da linha neutra mostra que o mercado aguarda um gatilho decisivo. Portanto, se o rompimento ocorrer sem aumento de volume, há risco de armadilha para compradores.
Bitcoin pode repetir padrões históricos segundo análises gráficas divulgadas por especialistas.
No curto prazo, o comportamento do ativo segue influenciado pelo movimento dos Treasuries, pela volatilidade do petróleo e pelo sentimento global de risco. Assim, a correlação elevada com o S&P 500 e a revisão das expectativas de política monetária indicam que o mercado de títulos continuará determinando grande parte da dinâmica do Bitcoin.