Operação expõe pirâmide Nextcapital com uso de criptomoedas
Operação policial revela fraude financeira em Indaiatuba
A Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação para desarticular um esquema que usava criptomoedas como isca para atrair investidores em Indaiatuba. A investigação teve como foco a empresa Nextcapital, que prometia rendimentos mensais de até 10% enquanto se apresentava como especialista no mercado financeiro.
De acordo com os agentes, o responsável pelo negócio se apresentava como professor e instrutor de day trade. Assim, ele buscava transmitir confiança e convencer o público de que os investimentos propostos poderiam gerar lucros elevados. No entanto, as promessas estavam muito acima do que qualquer produto financeiro legítimo pode oferecer.
Os investigadores identificaram pelo menos 14 vítimas diretas com prejuízo superior a R$ 420 mil. Durante o depoimento, o investigado afirmou dever cerca de R$ 510 mil a 42 investidores, o que indica um alcance maior do esquema. Além disso, a empresa não possuía autorização da Comissão de Valores Mobiliários para operar com investimentos ou custódia de valores.
Estratégias usadas para reforçar a falsa credibilidade
As vítimas recebiam relatórios em PDF que exibiam supostos lucros mensais. Esse material ajudava a criar a percepção de que a Nextcapital oferecia investimentos reais e lucrativos. Além disso, a investigação apontou o pagamento de comissões de 5% para quem indicasse novos clientes, prática típica de pirâmides financeiras e esquemas Ponzi.
Outro fator que chamou atenção foi o uso de endereços falsos no site da empresa. Entre os locais divulgados como sedes estavam um escritório na Avenida Paulista e outro em Indaiatuba. Uma reportagem da RFTV verificou que nesses endereços funcionavam consultórios de psicologia e odontologia, e não a empresa investigada.
No entanto, enquanto investidores enfrentavam dificuldades para sacar valores, os suspeitos exibiam sinais de ostentação. As informações indicam viagens frequentes e veículos de luxo. Segundo a Band, alguns desses bens estavam registrados em nome de terceiros, o que pode caracterizar tentativa de ocultação patrimonial.
Durante o cumprimento dos mandados de busca, foram apreendidos celulares, iPhones, cartões bancários, máquinas de cartão, agendas e documentos diversos. O material será periciado para ajudar a identificar a movimentação financeira da Nextcapital. Portanto, a análise poderá revelar novos envolvidos e vítimas.
Criptomoedas usadas apenas como fachada
As evidências reunidas pelos investigadores mostram que a Nextcapital utilizava criptomoedas apenas como elemento de marketing. A ideia era transmitir uma imagem moderna e alinhada ao mercado digital. Contudo, os lucros prometidos não tinham relação com operações reais. Assim, o esquema dependia exclusivamente da entrada de novos participantes para manter a circulação de valores.
No curto prazo, a apreensão de documentos e dispositivos deve aprofundar a investigação sobre o grupo. As autoridades pretendem analisar os relatórios falsos, os endereços inexistentes e o acúmulo de dívidas com investidores. Esses elementos reforçam os danos causados e podem acelerar a responsabilização dos envolvidos.
Além disso, a investigação pode revelar estratégias usadas para prolongar o funcionamento da fraude. A prática de uso de nomes de terceiros para registrar bens e a distribuição de comissões reforça o padrão comum em esquemas de pirâmide.
As autoridades seguem na análise das informações coletadas para identificar outras vítimas e determinar a extensão total do prejuízo causado pela Nextcapital.