Bitcoin recua em meio à disparada do petróleo

O mercado global de cripto registrou uma das semanas mais tensas do ano, com Bitcoin e principais altcoins em queda enquanto a escalada no preço do petróleo pressiona ativos de risco. A volatilidade ganhou força após o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, que elevou o clima de incerteza nas bolsas.

Crise no Irã derruba o apetite ao risco

A pressão começou quando o Departamento de Justiça dos EUA abriu novas ações civis de confisco para apreender mais de US$ 15 milhões ligados a um suposto esquema de contrabando de petróleo comandado pelo iraniano Mohammad Hossein Shamkhani. Segundo a ação judicial, ele teria usado empresas de fachada e intermediários financeiros para mascarar a origem do petróleo iraniano, violando sanções internacionais.

O documento afirma que a rede introduzia o petróleo no sistema financeiro global como se fosse de fontes legítimas, o que aumentou as tensões entre Washington e Teerã. Além disso, o caso reforçou temores de novas retaliações e possíveis interrupções no fluxo internacional de petróleo.

Petróleo acima de US$ 90 afeta mercados

O impacto imediato ocorreu na logística global. O Estreito de Ormuz registrou queda drástica no fluxo de navios, passando de mais de 100 embarcações diárias para apenas oito em 24 horas. Assim, o barril de petróleo ultrapassou US$ 90 após alta semanal acima de 35%.

Com risco de paralisação prolongada, os EUA anunciaram um programa de resseguro de US$ 20 bilhões para garantir o tráfego de navios-tanque. Além disso, o governo avalia usar escolta militar na região. A combinação entre oferta pressionada e tensão política elevou temores inflacionários, o que prejudicou ativos de risco.

Quando o petróleo sobe, cresce a chance de inflação alta. Portanto, o Federal Reserve tende a adiar cortes de juros, reduzindo o fluxo de capital para ativos considerados especulativos, como cripto.

Mercado derrete e Índice de Medo e Ganância cai

No pior momento da turbulência, cerca de US$ 900 bilhões desapareceram das bolsas globais em um único pregão. O setor de cripto acompanhou o movimento, com Bitcoin e altcoins registrando quedas expressivas. O Índice de Medo e Ganância caiu para 23 pontos em uma escala de 100, indicando forte sentimento de aversão ao risco.

A correlação entre Bitcoin e o índice S&P 500 subiu acima de 72%. Portanto, o desempenho das criptomoedas continuou diretamente ligado ao humor do mercado tradicional, reforçando a relevância de fatores macroeconômicos em momentos de instabilidade.

Perspectivas para aliviar a pressão

Diante da crise, autoridades dos EUA afirmam que o país pode compensar a queda da oferta global com aumento da produção doméstica. Além disso, a Venezuela pode elevar sua produção para até 1,5 milhão de barris por dia, aproximando-se do volume exportado pelo Irã antes da escalada recente. Em declaração pública, o representante Jarrod Agen afirmou que Washington pretende confiscar todo o petróleo iraniano disponível.

Se a oferta aumentar e o petróleo estabilizar, a pressão inflacionária tende a diminuir, abrindo espaço para cortes de juros. Portanto, o interesse por ativos de risco, incluindo Bitcoin, pode voltar. No curto prazo, contudo, o mercado permanece sensível à volatilidade do setor energético e às tensões entre Irã e Estados Unidos.