Criptomoedas avançam entre estados sob sanções
O uso de criptomoedas por estados sancionados cresceu de forma marcante em 2025, e esse avanço fortaleceu mecanismos financeiros alternativos diante das restrições internacionais. Além disso, redes ligadas a governos sob sanções passaram a depender mais de tecnologias descentralizadas para efetuar transações transfronteiriças e para sustentar operações estratégicas fora do sistema bancário tradicional.
Dados públicos indicam que endereços associados a atividades ilícitas receberam cerca de US$ 154 bilhões em ativos digitais ao longo do ano. Desse total, entidades sancionadas responderam por aproximadamente US$ 104 bilhões. Assim, o cenário reforçou a escalada no uso desses canais para a circulação de recursos e para o financiamento de estruturas paralelas voltadas a driblar regulações financeiras.
Medidas internacionais ampliam monitoramento de ativos digitais
Autoridades regulatórias dos Estados Unidos, Europa e Reino Unido intensificaram em 2025 o combate ao uso indevido de ativos digitais. O esforço conjunto incluiu novas designações de serviços e plataformas envolvidas em ransomware, redes estatais ou operações destinadas a evitar controles financeiros. Além disso, órgãos como o Office of Foreign Assets Control, a União Europeia e o Office of Financial Sanctions Implementation ampliaram a vigilância sobre intermediários ligados a práticas proibidas.
As sanções também passaram a incluir serviços conectados a operações estatais hostis e estruturas que facilitavam a movimentação de fundos de maneira não rastreável. A União Europeia adotou medidas específicas contra provedores russos e contra a stablecoin lastreada no rublo A7A5. Essa moeda digital registrou mais de US$ 93,3 bilhões em transações em dez meses e, portanto, demonstrou como ativos tokenizados podem funcionar como sistemas alternativos de liquidação internacional.
Um episódio relevante ocorreu em março de 2025, quando a OFAC removeu o mixer descentralizado Tornado Cash de sua lista de sanções após uma decisão judicial. Esse entendimento considerou que contratos autônomos não poderiam ser classificados como propriedades sancionáveis. A medida iniciou debates sobre os limites regulatórios envolvendo tecnologias descentralizadas, conforme análise discutida quando a decisão redefiniu parâmetros jurídicos.
Movimentações bilionárias reforçam novas rotas financeiras
Alguns países sob sanções ampliaram seu envolvimento com ativos digitais ao longo de 2025. A Coreia do Norte, por exemplo, continuou operando redes cibernéticas e esquemas envolvendo profissionais de TI no exterior. Além disso, o país foi associado ao roubo de mais de US$ 2 bilhões em cripto durante o período, o que reforçou a relevância dessas operações em sua estratégia econômica.
O Irã também aumentou a utilização de redes blockchain em suas atividades estatais. Endereços ligados ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica representaram mais da metade do valor recebido por entidades iranianas no quarto trimestre de 2025. Assim, as carteiras conectadas a essa estrutura movimentaram mais de US$ 3 bilhões no ano e contribuíram para o financiamento de milícias, negociações de petróleo e aquisição de equipamentos.
A Rússia adotou sistemas de liquidação baseados em blockchain para o comércio internacional. O uso do token A7A5 ganhou força como camada de compensação em transações realizadas durante horários comerciais. Portanto, o padrão indica aplicação prática em operações de rotina com seus parceiros econômicos.
Esses movimentos demonstraram como a adoção de ativos digitais por estados sancionados fortaleceu fluxos financeiros alternativos e redes paralelas de comércio. Além disso, o aumento dos volumes movimentados em 2025 evidenciou a consolidação dessas tecnologias como ferramentas de relevância estratégica diante de um ambiente global mais restritivo.