Bitcoin segue firme e se descola do FTSE 100 com yields em alta

O Bitcoin inicia a semana com desempenho firme próximo de US$ 69.000, enquanto o FTSE 100 recua pressionado pela forte alta nos rendimentos dos Gilts de 10 anos do Reino Unido. Esse movimento amplia a distância entre o principal ativo digital e o mercado acionário britânico, reforçando uma tendência de desacoplamento que chama atenção de analistas.

A abertura antecipada do pregão americano durante o horário de verão aumenta a sobreposição com o mercado europeu. Essa maior interação costuma elevar a liquidez do Bitcoin e, portanto, pode intensificar variações de preço ao longo do dia. Operadores observam com cautela como o fluxo vindo de Wall Street influenciará a força recente da criptomoeda.

FTSE 100 em queda e o comportamento do Bitcoin

No Reino Unido, o cenário segue desafiador. O FTSE 100 cai mais de 1% devido ao avanço expressivo dos rendimentos dos Gilts de 10 anos, conforme dados apresentados em plataformas financeiras. Rendimentos altos comprimem as condições financeiras e reduzem a disposição ao risco, afetando ações e cripto em períodos tradicionais.

No entanto, o Bitcoin mantém estabilidade mesmo diante da pressão dos juros, contrariando padrões históricos em que aumentos nos custos de capital costumam derrubar ativos de risco. Além disso, ações britânicas de energia e indústria caem com força, mas a cripto demonstra resiliência.

EUROPA: quedas predominam enquanto o petróleo avança. Londres registra leve recuperação devido ao desempenho de BP e Shell.

Analistas destacam que, em cenários anteriores, o Bitcoin só estabilizava quando os riscos na renda fixa diminuíam. Assim, a dinâmica atual foge ao tradicional, impulsionada principalmente por demanda institucional via ETFs à vista.

Fatores que fortalecem o desacoplamento

Dados recentes mostram que o Bitcoin reage a fatores internos e apresenta baixa correlação com o FTSE 100. O ingresso constante de investidores institucionais nos ETFs cria suporte estrutural, reduz a oferta no mercado e limita quedas abruptas.

Segundo números da CoinGlass, um short squeeze em 5 de março eliminou posições vendidas acima de US$ 71.000 e ajudou a manter o impulso atual. Além disso, a retirada de BTC das exchanges por fundos institucionais reduz a oferta circulante, o que aprofunda o descolamento entre a cripto e os índices europeus.

O nível de resistência mais observado está em US$ 74.000. A quebra desse patamar reforçaria a tendência de alta e diminuiria o impacto dos rendimentos sobre o preço no curto prazo.

Gráfico comparativo BTC e FTSE 100

Fonte: JustETF

Níveis críticos para traders e impacto dos yields

Mesmo com a performance positiva, alguns pontos seguem essenciais. Uma queda abaixo de US$ 71.000 poderia anular o atual desacoplamento e reconectar o Bitcoin ao movimento global de aversão ao risco. Além disso, investidores acompanham o rendimento dos Treasuries de 10 anos dos EUA na abertura. Se eles avançarem como os Gilts britânicos, o suporte em US$ 71.000 pode ser pressionado.

O nível decisivo para sustentar a estrutura otimista continua em US$ 74.000. Caso o mercado supere esse valor com consistência, o impacto dos yields tende a perder força e abrir espaço para novas máximas.

Gráfico do Bitcoin

Fonte: TradingView

Se o Bitcoin segurar seus suportes durante o pregão americano, a resiliência observada pela manhã poderá se consolidar, sustentando a demanda institucional mesmo com a pressão global dos rendimentos.