Bitcoin sobe com ETFs e petróleo em queda

O Bitcoin opera perto de US$ 70.776 após avançar mais de 3% nas últimas horas, impulsionado pela melhora no apetite por risco. O ambiente mais favorável surgiu com o alívio das tensões geopolíticas e a recuperação dos fluxos positivos dos ETFs à vista nos Estados Unidos, fatores que vinham pressionando o mercado no início de março.

A forte retração do petróleo reforçou esse movimento. A commodity chegou a se aproximar de US$ 120 o barril, mas recuou para a faixa de US$ 93 depois que declarações do presidente Donald Trump sugeriram possível encerramento do conflito envolvendo o Irã. Essa mudança reduziu um dos principais focos de estresse macroeconômico que influenciavam o Bitcoin desde o início do mês. Além disso, a queda do petróleo tende a aliviar pressões inflacionárias, o que melhora o humor dos investidores.

BTC avança dentro de canal de alta

No gráfico de 30 minutos, o Bitcoin mostra um canal de alta desde as mínimas de 9 de março, situadas próximas de US$ 65.800. A estrutura ganhou força quando o preço superou o Parabolic SAR em US$ 69.456 e ultrapassou a resistência horizontal de US$ 69.500. Esses rompimentos ajudaram a consolidar a tendência de curto prazo.

BTC 30-Minute Price Action
Movimentação do preço do BTC nos últimos 30 minutos (Fonte: TradingView)

Além disso, o Chaikin Money Flow permanece positivo, indicando presença consistente de força compradora. No momento, o BTC se aproxima da parte superior do canal, localizada entre US$ 72.000 e US$ 73.000. Caso esse intervalo seja rompido com firmeza, o ativo poderia testar a média móvel de 50 dias, em US$ 73.165. Portanto, esse trecho do gráfico se torna crucial para definir o fôlego da atual recuperação.

Os níveis técnicos mais importantes permanecem organizados assim: suporte do SAR em US$ 69.456, linha inferior do canal em US$ 68.500, resistência intermediária em US$ 71.000 e faixa superior entre US$ 72.000 e US$ 73.000. Acima dela, o alvo imediato recai na média de 50 dias.

Bitcoin busca pontos estruturais no diário

No gráfico diário, a recuperação recente ganha perspectiva mais ampla. O ativo chegou a tocar US$ 126.000 em outubro de 2025 e acumulou queda superior a 40% desde então. No entanto, nas últimas semanas, o preço permaneceu estabilizado entre US$ 60.000 e US$ 65.000, região que atraiu nova demanda e conteve quedas mais acentuadas. Além disso, esse intervalo funcionou como importante zona de defesa do mercado.

BTC Daily Price Action
BTC Daily Price Action (Source: TradingView)

A Bull Market Support Band continua acima do preço atual, entre US$ 84.738 e US$ 86.705. Recuperar essa faixa configuraria sinal de retomada estrutural de longo prazo. No curto prazo, o foco está na média de 20 dias em US$ 68.721. O preço superou esse nível de forma intradiária, e um fechamento acima dele poderia abrir espaço para testar de forma consistente a média de 50 dias.

ETFs retomam entradas e fortalecem o mercado

Os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos voltaram a registrar forte entrada de capital em 9 de março, somando US$ 167,03 milhões em fluxos líquidos. O ETF IBIT, da BlackRock, concentrou US$ 109,31 milhões desse movimento, reforçando a presença institucional. Esse retorno de aportes melhora o sentimento do mercado e apoia a trajetória de recuperação observada no gráfico.

Desde o lançamento, os fundos acumulam US$ 55,54 bilhões em entradas líquidas e administram US$ 88,34 bilhões em ativos, o que corresponde a 6,41% do valor total do Bitcoin. Portanto, a participação institucional segue relevante para os movimentos de curto prazo.

Perspectivas para os próximos dias

No curto prazo, dois caminhos se destacam. Se o preço se mantiver acima de US$ 69.456 e romper a faixa entre US$ 72.000 e US$ 73.000, o BTC poderá buscar a região entre US$ 80.000 e US$ 84.000. A manutenção de fluxos positivos nos ETFs e a continuidade da queda do petróleo reforçariam esse cenário. Além disso, a melhoria do sentimento global tende a favorecer ativos de risco.

Por outro lado, uma rejeição entre US$ 71.000 e US$ 72.000 poderia pressionar o ativo para baixo do SAR, levando-o novamente para a zona entre US$ 65.000 e US$ 60.000. Uma eventual escalada nas tensões envolvendo o Irã, que poderia devolver o petróleo para perto de US$ 120, recolocaria pressão sobre o mercado.

Assim, a combinação entre queda do petróleo, retomada dos aportes institucionais e rompimentos técnicos sustenta a recuperação atual do Bitcoin e guia suas próximas movimentações.