Samourai Wallet: rotina e reflexões após 1 mês preso

O desenvolvedor do Samourai Wallet, Keonne Rodriguez, descreveu seu primeiro mês dentro de uma prisão federal nos Estados Unidos em uma carta enviada recentemente. Ele cumpre pena de 60 meses e relatou como a rotina rígida, a burocracia e a sensação de tempo distorcido marcam sua adaptação ao ambiente.

Segundo Rodriguez, a prisão parece funcionar de forma intencionalmente frustrante. Muitos detentos brincam que a sigla BOP, usada para Bureau of Prisons, significa Backwards On Purpose. Além disso, ele afirma que processos simples, como o atendimento odontológico, tornam-se imprevisíveis porque reúnem pessoas de várias unidades, aumentando a espera.

A rotina da pena e os desafios iniciais

Rodriguez recebeu sua fase oficial de admissão após 28 dias. Embora funcionários afirmem que a unidade não é uma punição, ele vê um contraste claro entre essa declaração e o cotidiano marcado por contagens frequentes, restrição de contatos externos e trabalho remunerado com valores mínimos.

Ele comenta que cartazes motivacionais aparecem nos corredores, muitos pixelados, incluindo um que diz que “você só está encarcerado pelas paredes que você mesmo constrói”. Para ele, a frase dentro de uma prisão soa irônica.

Com o tempo, Rodriguez estabeleceu uma rotina para lidar com o isolamento. Ele acorda às 4h, prepara um “latte de prisão” com leite em pó e café instantâneo e escreve cartas enquanto o ambiente ainda está silencioso. Às 5h ocorre uma das contagens obrigatórias, quando guardas passam conferindo todos os presos.

Contato com o exterior e limitações diárias

Seu rádio AM/FM tornou-se essencial, pois mantém algum vínculo com o mundo externo. Ele costuma ouvir a programação internacional até as 6h, quando os telefones e computadores são liberados. No entanto, o e-mail custa US$ 0,06 por minuto, o que o obriga a enviar mensagens rápidas. Logo depois, ele liga para sua esposa usando parte dos 510 minutos mensais permitidos.

Essas chamadas têm limite de 15 minutos e exigem intervalo de 30 minutos entre si, o que exige planejamento. Depois das ligações, ele vai ao prédio de recreação para jogar handebol ou treinar na academia, tentando manter alguma estabilidade física e mental.

Por volta das 8h, prepara seu café da manhã com itens da cantina, como aveia, frutas secas, mel e leite em pó. No fim da manhã, ele realiza seu trabalho como “Bathroom Orderly”, limpando banheiros e chuveiros usados por cerca de 80 homens. Apesar de cansativo, ele considera o serviço necessário para manter uma higiene mínima.

Após o trabalho, ele toma banho antes que outros presos utilizem o espaço. A partir de 10h30, seu dia se resume à leitura e pequenos cochilos, já que são poucas as atividades estruturadas disponíveis. Ele evita as salas de TV, que costumam gerar disputas internas.

Adaptação emocional e perspectivas

No fechamento da carta, Rodriguez diz sentir como se estivesse preso em um sonho ruim do qual não consegue acordar. Mesmo assim, afirma tentar se adaptar diariamente, buscando formas de fazer o tempo passar enquanto espera pelo reencontro com sua família.

Esse primeiro mês destaca o impacto físico, psicológico e emocional da rotina carcerária, marcada por regras rígidas, limitações e um esforço constante para preservar algum senso de normalidade.