Bitcoin enfrenta alta no Supply in Loss e pressão crescente
O Bitcoin permanece consolidado próximo de US$ 70.000 após semanas de fortes oscilações. Esse comportamento lateral indica ausência de direção clara no curto prazo. No entanto, dados on-chain revelam sinais de pressão crescente, o que reacende alertas sobre fragilidade estrutural no mercado.
A análise divulgada quando a CryptoQuant apresentou sua leitura recente destaca o avanço do indicador Supply in Loss. Esse índice mede a parcela do fornecimento de Bitcoin negociada abaixo do preço de aquisição. O percentual voltou a ficar entre 40 e 45 por cento, faixa historicamente associada a períodos de transição entre ciclos e momentos prolongados de correção.
Sinais de fragilidade se intensificam no comportamento on-chain
Em ciclos anteriores, como 2015, 2019 e 2022, aumentos no Supply in Loss surgiram junto de fases de estresse acentuado. Nesses cenários, investidores acumulavam perdas não realizadas e, portanto, elevavam a pressão vendedora. Assim, o mercado reagia com maior volatilidade e oscilações bruscas.
No contexto atual, o avanço do indicador aponta deterioração gradual da estrutura de mercado. Além disso, o sentimento do investidor sofre impacto direto desse movimento, já que operar em território negativo costuma gerar incerteza e favorecer decisões motivadas por pressão psicológica.
Embora o Supply in Loss avance, o percentual ainda está abaixo de níveis que costumam marcar fundos de ciclo. Historicamente, reversões robustas ocorrem quando mais de 50 por cento do fornecimento circulante apresenta prejuízo. Portanto, o mercado ainda não entrou em estágio extremo de capitulação ampla.
Assim, os dados sugerem início de uma possível fase prolongada de correção, e não o fim definitivo do movimento baixista. O cenário demanda cautela, pois combina fragilidade estrutural com sinais técnicos divergentes.
Mercado tenta estabilizar após forte correção
Enquanto os dados on-chain avançam em direção negativa, o preço do Bitcoin tenta ganhar estabilidade após a forte queda ocorrida no início do ano. A correção levou o ativo da região de US$ 90.000 para níveis entre US$ 60.000 e US$ 65.000 em fevereiro. Compradores atuaram nesses níveis e ajudaram a segurar o movimento de baixa.

Fonte: BTCUSDT chart on TradingView
Mesmo com o alívio recente, o cenário técnico permanece frágil. O Bitcoin ainda opera abaixo das médias móveis de curto e médio prazo, como as de 50 e 100 períodos, que funcionam como barreiras de resistência inclinadas para baixo. Esse padrão costuma ser associado à perda de força após períodos de valorização intensa.
A média de 200 períodos, posicionada próxima de US$ 90.000, segue como ponto estrutural mais relevante no gráfico. Sua perda durante a correção confirmou a transição de um momento de expansão para um intervalo mais amplo de consolidação.
No curto prazo, o Bitcoin forma uma faixa entre US$ 65.000 e US$ 72.000. A região inferior funciona como suporte recente, enquanto a banda superior impede avanços sustentados. Além disso, o ativo precisaria reconquistar áreas entre US$ 75.000 e US$ 80.000 para superar a lateralização atual.
No panorama imediato, o avanço do Supply in Loss reforça que uma parcela relevante dos investidores voltou a operar no negativo. Portanto, a pressão vendedora se soma ao fato de que o Bitcoin permanece abaixo de médias móveis essenciais. Assim, o mercado segue em fase de fragilidade estrutural, distante ainda dos níveis extremos que costumam marcar fundos de ciclo.