Computação quântica ameaça o Bitcoin? ARK Invest analisa
Um relatório da ARK Invest em parceria com a Unchained analisou um dos debates mais recorrentes do setor cripto: o impacto da computação quântica na segurança das redes digitais. A pesquisa avaliou principalmente o Bitcoin e a possibilidade de máquinas quânticas quebrarem os sistemas de cripto que protegem suas chaves.
O estudo indica que o risco existe no longo prazo. Contudo, a tecnologia atual ainda estaria distante de alcançar capacidade suficiente para comprometer a segurança do protocolo. Assim, os pesquisadores afirmam que não há sinais de ameaça imediata ao funcionamento da rede.
Além disso, o relatório argumenta que a evolução da computação quântica tende a ocorrer de forma gradual. Nesse contexto, a comunidade teria tempo para acompanhar avanços técnicos e desenvolver respostas antes que eventuais vulnerabilidades se tornem críticas.
Capacidade atual da computação quântica ainda é limitada
Os autores afirmam que explorar a computação quântica para atacar o Bitcoin exigiria um nível tecnológico muito superior ao disponível hoje. Mesmo com o progresso recente na área, um ataque real demandaria infraestrutura extremamente complexa e custosa.
Atualmente, muitos computadores quânticos operam na chamada era NISQ, sigla para dispositivos quânticos de escala intermediária e ruidosos. Essas máquinas ainda apresentam taxas elevadas de erro, o que limita suas aplicações práticas.
Grande parte desses sistemas trabalha hoje com cerca de uma centena de qubits. No entanto, quebrar a cripto baseada em curvas elípticas usada pelo Bitcoin exigiria um salto tecnológico significativo.
O relatório estima que um ataque desse tipo poderia exigir algo em torno de milhares de qubits lógicos corrigidos por erro, além de dezenas de milhões ou até bilhões de operações quânticas confiáveis. Esse patamar permanece muito distante das capacidades atuais.
Dessa forma, os pesquisadores avaliam que diversas etapas científicas e de engenharia ainda precisam ocorrer antes que esse cenário se torne plausível.
Sinais prévios antes de qualquer ameaça real
Outro ponto destacado envolve a trajetória esperada da tecnologia. Antes de ameaçar sistemas de cripto amplamente utilizados, a computação quântica provavelmente demonstrará utilidade prática em áreas como química, ciência de materiais e problemas de otimização.
Por conseguinte, o mercado e a comunidade técnica tenderiam a observar vários sinais de avanço antes que um risco direto ao Bitcoin se torne relevante. Esse intervalo também permitiria testes de novos padrões de segurança.
Mesmo em um cenário mais avançado, o processo de quebra de chaves poderia levar mais tempo do que os cerca de 10 minutos necessários para gerar um bloco na rede. Assim, a própria dinâmica do protocolo poderia oferecer uma margem adicional de proteção em muitos casos.
Parte do supply poderia ficar teoricamente exposta
O relatório também estimou quantos bitcoins poderiam se tornar vulneráveis caso ataques quânticos em larga escala se tornem viáveis no futuro. A análise sugere que cerca de 1,7 milhão de BTC em endereços antigos do tipo P2PK poderiam ser alvos potenciais.
Entretanto, parte desses ativos pode estar perdida ou inacessível. Além disso, aproximadamente 5,2 milhões de BTC estão armazenados em formatos de endereço que podem ser migrados para modelos mais seguros caso necessário.
No total, os pesquisadores estimam que até cerca de 35% do supply atual poderia ter algum nível teórico de exposição em seu formato atual. Ainda assim, o estudo destaca que a situação seria administrável se a comunidade reagir com antecedência.
Grande parte das moedas permanece inativa ou poderia ser transferida para novos formatos de endereço caso surja necessidade. Dessa forma, a rede teria margem para adaptação antes que um ataque desse tipo se torne tecnicamente viável.
Desafios de governança e possíveis atualizações
Apesar do cenário considerado controlável, o relatório aponta desafios de governança. Caso a ameaça evolua, a rede poderia precisar adotar algoritmos de cripto resistentes à computação quântica.
No entanto, mudanças no protocolo do Bitcoin exigem consenso entre desenvolvedores, mineradores, operadores de nós e usuários. Portanto, qualquer atualização relevante dependeria de coordenação entre diferentes participantes do ecossistema.
Outro debate envolve moedas cujas chaves públicas já aparecem na blockchain. Ainda não existe consenso sobre como lidar com esses fundos em um eventual cenário de risco quântico.
O estudo conclui que a evolução dessa ameaça tende a ser gradual e acompanhada de sinais intermediários. Nesse cenário, o ecossistema teria tempo para adaptar seus padrões de segurança.
No momento da publicação do relatório, o Bitcoin era negociado próximo de US$ 69.496.
