Bitcoin enfrenta risco de armadilha de alta no 2º trimestre
O Bitcoin costuma apresentar desempenho positivo no segundo trimestre. Ainda assim, sinais recentes do mercado sugerem que uma recuperação consistente pode não ocorrer em 2026. Dados históricos indicam fraqueza após um primeiro trimestre negativo, o que aumenta as dúvidas sobre a força de uma possível alta no curto prazo.
Dados da plataforma CoinGlass mostram que o retorno médio do Bitcoin no segundo trimestre gira em torno de 27,11%. Por isso, o período costuma ser um dos mais fortes dentro do ciclo anual da criptomoeda. No entanto, o primeiro trimestre de 2026 terminou com queda de cerca de 20,73%, um dos desempenhos mais fracos desde o mercado de baixa observado em 2022.

Historicamente, movimentos de recuperação mais fortes costumam aparecer logo nas primeiras semanas do trimestre. Em 2026, contudo, esse impulso inicial ainda não ficou evidente. O preço reagiu apenas de forma moderada aos suportes mensais e ainda não conseguiu recuperar níveis relevantes de resistência.
Nesse contexto, um sentimento excessivamente otimista pode acabar fornecendo liquidez para vendedores. Assim, parte dos traders pode aproveitar repiques de preço para realizar lucros ou abrir novas posições vendidas.
Faixa de preço limita avanço do mercado
Região de US$ 70 mil continua como barreira
No momento da publicação, o Bitcoin é negociado próximo de US$ 69.000. O ativo permanece há mais de um mês dentro de uma faixa relativamente estreita entre US$ 62.800 e US$ 72.600.
Dados on-chain da Glassnode indicam rejeições frequentes sempre que o preço tenta recuperar a região de US$ 70.000. Em várias dessas tentativas, houve aumento na realização de lucros, o que limita a continuidade das altas no curto prazo.
Segundo a análise da plataforma, em determinados momentos o lucro realizado líquido superou US$ 5 milhões por hora. Esse comportamento sugere que parte dos participantes prefere vender durante as altas em vez de ampliar posições.
Além disso, a Glassnode aponta dois níveis importantes de custo médio on-chain. O primeiro é o Realized Price, atualmente próximo de US$ 54.400. Esse indicador representa o preço médio de aquisição de todas as moedas em circulação.
Acima do preço atual aparece o chamado True Market Mean, estimado perto de US$ 78.400. O indicador acompanha o custo médio das moedas consideradas economicamente ativas na rede. Dessa forma, o Bitcoin permanece dentro de uma ampla zona de equilíbrio entre suporte estrutural e resistência do mercado.
Indicadores on-chain ainda sugerem cautela
Vendas com prejuízo refletem pressão entre investidores
Outros indicadores reforçam a postura cautelosa de parte do mercado. A média móvel exponencial de sete dias do Short-Term Holder Spent Output Profit Ratio (STH-SOPR) permanece em torno de 0,985. O indicador segue abaixo de 1 desde outubro de 2025.
Quando o STH-SOPR permanece abaixo de 1, significa que investidores de curto prazo estão vendendo moedas com prejuízo. Historicamente, esse comportamento indica menor margem de segurança para absorver quedas prolongadas.
Quando o indicador se aproxima novamente de 1, muitos traders utilizam o momento para sair do mercado no ponto de equilíbrio. Como consequência, esse movimento pode limitar a força de recuperações no preço.

Fonte: TradingView
Analistas também observam um agrupamento de oferta próximo ao ponto médio da atual faixa de preços. Embora esse comportamento possa indicar algum nível de acumulação, a intensidade ainda parece menor do que em fases anteriores de expansão do mercado.
Em alguns ciclos, choques macroeconômicos ou geopolíticos já foram seguidos por movimentos de recuperação relevantes no Bitcoin. Caso um impulso semelhante ocorra, analistas avaliam que o preço poderia voltar a testar a região entre US$ 77.000 e US$ 80.000.
Para que esse cenário ganhe força, o ativo precisaria primeiro recuperar de forma consistente o nível de US$ 70.000 e, depois, romper resistências próximas de US$ 75.000. Enquanto isso não acontece, parte do mercado mantém atenção ao risco de uma possível armadilha de alta ao longo do segundo trimestre.