Banco da Inglaterra avalia rever limites para stablecoin
O Banco da Inglaterra indicou que pode revisar sua proposta de limites para posse de stablecoin após críticas de empresas de cripto e fintechs. Durante audiência no Comitê de Regulação de Serviços Financeiros da Câmara dos Lordes, a vice‑governadora Sarah Breeden afirmou que a autoridade monetária está analisando possíveis ajustes nas regras.
Segundo Breeden, o banco central avalia o retorno recebido do setor financeiro e considera alternativas que reduzam riscos sistêmicos sem limitar a inovação no mercado de ativos digitais. Nesse contexto, mudanças na proposta permanecem em discussão enquanto o processo regulatório avança.
A proposta original foi apresentada em novembro e busca evitar uma migração rápida de depósitos bancários para tokens digitais. Reguladores temem que, caso o uso desses ativos cresça rapidamente, parte relevante dos recursos atualmente mantidos em bancos tradicionais possa migrar para novas formas de dinheiro digital.
Ao mesmo tempo, o Banco da Inglaterra afirma que a intenção não é frear o desenvolvimento tecnológico. A instituição defende que novas formas de dinheiro digital possam se integrar ao sistema financeiro de maneira gradual e estável.
Breeden também destacou que o regulador acompanha de perto as reações da indústria e que o debate permanece aberto.
Proposta busca proteger estabilidade do sistema financeiro
O plano inicial considera a adoção de limites temporários para stablecoins classificadas como potencialmente sistêmicas. Em discussões preliminares, autoridades mencionaram valores que poderiam chegar a cerca de £20.000 para indivíduos e até £10 milhões para empresas.
De acordo com o banco central, essas restrições funcionariam como uma salvaguarda durante a fase inicial de adoção. Assim, o sistema financeiro teria mais tempo para se adaptar ao crescimento de ativos digitais lastreados em moeda.
O principal receio envolve uma eventual retirada em larga escala de depósitos bancários. Caso consumidores passem a manter parte relevante de seus recursos em tokens digitais, bancos poderiam perder uma fonte importante de financiamento.
Breeden observou que o crédito no Reino Unido depende fortemente desses depósitos. Diferentemente dos Estados Unidos, onde os mercados de capitais desempenham papel maior, o modelo britânico permanece mais centrado no sistema bancário.
Por isso, mudanças rápidas na forma como as pessoas armazenam dinheiro poderiam afetar o fluxo de crédito para famílias e empresas. Ainda assim, o regulador reconhece que regras excessivamente rígidas também podem dificultar o desenvolvimento do setor.
Indústria aponta desafios técnicos
Empresas de tecnologia financeira argumentam que os limites sugeridos podem ser difíceis de aplicar na prática. Além disso, afirmam que monitorar a quantidade de tokens mantida por cada usuário pode representar desafios técnicos relevantes.
Esses ativos circulam entre diferentes carteiras digitais e plataformas globais. Dessa forma, rastrear saldos individuais exigiria sistemas complexos de monitoramento.
Representantes do setor também afirmam que esse tipo de controle pode elevar custos operacionais. Como consequência, projetos baseados em tokens digitais poderiam enfrentar barreiras adicionais para operar no país.
Outro ponto debatido envolve as exigências de reserva para emissores. A proposta em análise prevê que parte relevante do lastro seja mantida em depósitos no banco central, potencialmente com cerca de 40% desses recursos sem remuneração.
Empresas do setor afirmam que esse modelo pode reduzir a eficiência econômica das operações. Além disso, a regra poderia limitar o uso comercial de tokens vinculados à libra esterlina.
Sandbox regulatório testa novos projetos
Apesar das discussões regulatórias, várias empresas continuam explorando aplicações para tokens atrelados à libra dentro do sandbox da Financial Conduct Authority (FCA). O ambiente permite que companhias testem soluções inovadoras sob supervisão regulatória.
A fintech Revolut, que afirma ter mais de 60 milhões de clientes globalmente, está entre as empresas que estudam a possibilidade de emitir um token próprio no futuro. A decisão, no entanto, depende da definição do marco regulatório definitivo.
Outra participante do programa é a Monee Financial Technologies, que desenvolve infraestrutura para liquidação de títulos tokenizados e também participa do Digital Securities Sandbox do Banco da Inglaterra.
Enquanto isso, autoridades continuam analisando os dados obtidos nesses testes e o retorno da indústria. O debate regulatório no Reino Unido busca encontrar um equilíbrio entre incentivar inovação financeira e preservar a estabilidade do sistema bancário.