Bitcoin se aproxima de US$ 70 mil com queda em Wall Street
O mercado de ações dos Estados Unidos encerrou a quinta-feira em queda, pressionado por fatores macroeconômicos e pela alta do petróleo. Ao mesmo tempo, o Bitcoin mostrou recuperação e voltou a se aproximar da faixa de US$ 70 mil.
Os principais índices de Wall Street recuaram em meio ao avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro e ao aumento das tensões geopolíticas. Nesse contexto, investidores adotaram uma postura mais cautelosa diante de riscos inflacionários e possíveis impactos sobre a economia global.
No fechamento do pregão, o índice Dow Jones caiu 484 pontos, ou 1,10%, terminando em 46.932,79. O S&P 500 recuou 76,80 pontos, queda de 1,13%, e fechou em 6.699. Já o Nasdaq perdeu 325 pontos, equivalente a 1,44%, encerrando o dia em 22.389,35.
Enquanto as ações enfrentavam pressão generalizada, o mercado de cripto apresentou reação moderada. Assim, parte dos investidores voltou a observar o setor como alternativa em um cenário de maior volatilidade nos mercados tradicionais.
Cripto mostra recuperação em dia de aversão ao risco
Mesmo com o ambiente de cautela global, o Bitcoin recuperou parte das perdas registradas no início do dia. Após cair momentaneamente abaixo de US$ 70 mil, o ativo voltou a subir e passou a ser negociado próximo de US$ 70.400.
Dados da plataforma CoinMarketCap indicam que o valor total do mercado de criptoativos chegou a cerca de US$ 2,37 trilhões ao longo do dia.
O movimento sugere que alguns investidores buscaram diversificação fora do mercado tradicional. Dessa forma, o setor registrou uma recuperação moderada mesmo diante da instabilidade nas bolsas globais.
Ao mesmo tempo, declarações de autoridades americanas ajudaram a reduzir parte das preocupações logísticas no mercado de energia. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo dos Estados Unidos avalia a possibilidade de suspender temporariamente o Jones Act.
Se implementada, a medida poderia ampliar a flexibilidade no transporte marítimo de energia e produtos agrícolas dentro do país. Analistas apontam que uma decisão desse tipo tende a aliviar gargalos logísticos em momentos de pressão sobre a oferta.
Petróleo em alta pressiona mercados
Tensões geopolíticas elevam preços da energia
Parte da turbulência recente começou no mercado de energia. Os preços do petróleo subiram após novos episódios de instabilidade envolvendo rotas e infraestruturas energéticas no Oriente Médio.
Relatos de incidentes envolvendo navios petroleiros próximos ao Iraque aumentaram as preocupações com possíveis interrupções no fornecimento global. Com isso, o mercado passou a precificar um risco maior para a oferta.
O petróleo West Texas Intermediate (WTI) avançou cerca de 9% e chegou a US$ 95,52 por barril. Já o Brent atingiu aproximadamente US$ 96,14, chegando a superar momentaneamente o patamar de US$ 100 durante o pregão.
Além disso, autoridades no Iraque indicaram o fechamento temporário de alguns portos de exportação, o que contribuiu para ampliar a cautela entre investidores.
Autoridades iranianas também alertaram que os preços do petróleo poderiam subir significativamente caso a escalada geopolítica se intensifique. No entanto, projeções desse tipo são tratadas pelo mercado como cenários hipotéticos.
Juros elevados ampliam temores inflacionários
Paralelamente, investidores acompanharam a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O yield do título de 30 anos chegou a cerca de 4,87%, aproximando-se da marca de 5%.
Historicamente, rendimentos mais altos tendem a pressionar especialmente empresas de tecnologia e companhias de crescimento. Isso ocorre porque esses setores dependem mais de financiamento e de expectativas de lucro futuro.
Além disso, a alta do petróleo reforça preocupações com inflação global, já que custos mais elevados de energia podem impactar tanto empresas quanto consumidores.
Países membros da Agência Internacional de Energia também discutiram possíveis medidas para estabilizar o mercado, incluindo a utilização de reservas estratégicas caso as interrupções na oferta se agravem.
Em paralelo, estimativas em mercados de previsão como a plataforma Polymarket indicavam elevada incerteza sobre a duração de eventuais tensões envolvendo Estados Unidos e Irã.
Assim, a combinação de petróleo caro, juros elevados e riscos geopolíticos continua pressionando os mercados acionários. Em contraste, o mercado de cripto tenta se estabilizar enquanto investidores buscam alternativas em meio à volatilidade global.