Eskom avalia energia barata para mineração de Bitcoin
A Eskom, estatal responsável pela geração e distribuição de eletricidade na África do Sul, estuda oferecer energia com desconto para empresas de mineração de Bitcoin. A discussão surge em meio ao crescimento acelerado da geração solar em telhados residenciais e comerciais no país.
Com mais consumidores produzindo a própria eletricidade durante o dia, o padrão de consumo da rede elétrica mudou. Em vários momentos, a demanda pela rede nacional cai justamente quando a geração solar atinge níveis mais elevados.
Uma reportagem da Bitcoin Magazine aponta que a Eskom passou a avaliar formas de monetizar essa energia disponível. Em determinados períodos do dia, parte da capacidade de geração permanece ociosa.
Durante a conferência Biznews 2026, realizada em Hermanus, o presidente do conselho da Eskom, Mteto Nyati, afirmou que a empresa procura consumidores capazes de absorver grandes volumes de eletricidade. Nesse contexto, setores intensivos em energia passaram a ser analisados pela companhia.
Excedente de energia abre espaço para mineração
Nos últimos anos, a expansão da geração solar distribuída alterou a curva de consumo elétrico na África do Sul. Residências e empresas passaram a gerar parte da própria energia, reduzindo a dependência da rede em vários horários do dia.
Estudos sobre o setor energético indicam que essa mudança já afeta a demanda diária. Em muitos casos, o consumo da rede cai justamente quando a produção solar atinge seu pico.
Segundo Nyati, o comportamento da demanda tornou-se relativamente previsível. O consumo cresce nas primeiras horas da manhã, quando atividades domésticas e empresariais começam. Contudo, tende a recuar ao longo do dia à medida que os painéis solares ampliam a geração.
Como consequência, parte da energia produzida pela Eskom não é utilizada em determinados períodos. Diante desse cenário, a empresa avalia alternativas para aproveitar essa capacidade disponível.
Entre as possibilidades analisadas está a mineração de Bitcoin. Esse setor opera grandes centros de dados responsáveis por cálculos computacionais contínuos, o que exige elevado consumo de eletricidade.
Além disso, operações de mineração podem ajustar o nível de atividade de acordo com a disponibilidade de energia. Dessa forma, essas instalações conseguem absorver excedentes elétricos em horários específicos.
Data centers e IA também entram no radar
A discussão sobre novos consumidores de energia não se limita ao setor de criptomoedas. A Eskom também acompanha a expansão global de centros de dados e infraestrutura voltada à inteligência artificial.
Essas atividades demandam fornecimento elétrico constante e em larga escala. Por isso, podem se tornar parceiros relevantes para aumentar o uso da capacidade instalada da rede.
O diretor executivo da Eskom, Dan Marokane, já indicou em entrevistas que a empresa observa oportunidades nesses segmentos. Segundo ele, tecnologias emergentes estão criando novas fontes de demanda energética em diferentes países.
Ao mesmo tempo, o setor elétrico sul-africano passa por mudanças estruturais. O governo abriu gradualmente o mercado para investimentos privados, permitindo que empresas independentes construam usinas e participem da oferta de energia.
Enquanto isso, a geração solar em telhados continua crescendo. Esse avanço reduz a dependência da rede nacional durante o dia e pressiona empresas tradicionais a adaptar seus modelos de negócio.
Dessa forma, a Eskom busca novas fontes de receita e também tenta reduzir custos operacionais. Nyati afirmou que a companhia pretende cortar cerca de R112 bilhões em despesas ao longo dos próximos cinco anos, medida que pode contribuir para aliviar tarifas no futuro.
Mesmo com a abertura do mercado, o executivo destacou que a África do Sul ainda depende da infraestrutura da estatal. Visto que usinas a carvão e nucleares continuam fornecendo grande parte da carga base que sustenta a economia.
Nesse sentido, a venda de eletricidade excedente para operações de mineração de Bitcoin surge como uma alternativa em avaliação pela empresa, ao mesmo tempo em que novos setores tecnológicos ampliam sua presença no país.