Druckenmiller diz que stablecoins podem dominar pagamentos

O bilionário investidor Stanley Druckenmiller afirmou que as stablecoins e outros tokens baseados em blockchain podem transformar o sistema global de pagamentos nas próximas décadas. Para ele, a tecnologia tende a ganhar espaço devido à maior eficiência e à rapidez nas liquidações financeiras.

Durante entrevista concedida ao banco Morgan Stanley, gravada em 30 de janeiro e divulgada posteriormente, Druckenmiller destacou que soluções baseadas em blockchain podem aumentar a produtividade do setor financeiro. Além disso, ele observou que tokens digitais têm potencial para simplificar processos hoje dependentes de estruturas bancárias tradicionais.

“Blockchain e o uso de stablecoins, se quisermos incluir cripto nisso, com tokens, são incrivelmente úteis em termos de produtividade”, afirmou Druckenmiller.

Infraestrutura de pagamentos pode passar por transformação

Na avaliação do investidor, a infraestrutura global de pagamentos pode passar por mudanças graduais à medida que sistemas baseados em blockchain amadurecem. Essas redes permitem liquidações quase instantâneas e, em muitos casos, reduzem custos operacionais.

Nesse contexto, instituições financeiras podem adotar stablecoins em transferências internacionais, pagamentos corporativos e liquidação entre bancos. Além disso, a tecnologia tende a reduzir a dependência de intermediários tradicionais em determinadas etapas do processo.

“Imagino que todo o nosso sistema de pagamentos será baseado em stablecoins dentro de 10 ou 15 anos”, disse o investidor.

Druckenmiller construiu sua reputação em Wall Street após fundar a Duquesne Capital Management em 1981. O fundo registrou desempenho médio anual próximo de 30% antes de encerrar as atividades em 2010. Durante esse período, a gestora não registrou anos de perdas.

Ao longo dos últimos anos, o investidor também comentou sobre a evolução das infraestruturas financeiras digitais. Em análises anteriores, ele sugeriu que redes baseadas em blockchain podem desafiar partes do sistema financeiro tradicional que sustenta o domínio global do dólar americano.

Desconfiança em instituições amplia debate

Druckenmiller também argumenta que a queda de confiança em algumas instituições financeiras e bancos centrais pode abrir espaço para alternativas tecnológicas. Assim, soluções baseadas em blockchain ganham atenção ao prometer maior transparência e rapidez em transações globais.

No entanto, o investidor mantém uma visão cautelosa sobre o Bitcoin como reserva de valor de longo prazo. Na avaliação dele, o ativo ainda não demonstrou um caso de uso tão claro quanto outras aplicações da tecnologia blockchain.

“É uma solução procurando um problema. Fico até triste que tenha surgido”, declarou.

Ainda assim, Druckenmiller reconheceu que o Bitcoin construiu uma comunidade sólida de investidores. Mesmo assim, afirmou que continua preferindo o ouro, que considera uma reserva de valor testada ao longo de milhares de anos.

Apesar da crítica, o bilionário admitiu que talvez devesse manter alguma exposição ao ativo digital. Dessa forma, sua posição demonstra cautela, mas não descarta totalmente o potencial do setor.

Adoção institucional de stablecoins cresce

Nos últimos anos, empresas financeiras e reguladores passaram a observar com mais atenção o crescimento do mercado de stablecoins. Paralelamente, companhias de pagamentos e remessas internacionais estudam integrar ativos digitais às suas redes de liquidação.

Empresas e reguladores analisam o setor

Empresas globais de remessas, como Western Union e MoneyGram, já discutiram iniciativas envolvendo blockchain e ativos digitais para acelerar transferências e reduzir custos. Essas iniciativas ainda estão em diferentes estágios de estudo ou testes.

Ao mesmo tempo, o debate regulatório avança em diversas jurisdições. Nos Estados Unidos, propostas legislativas como o chamado GENIUS Act buscam estabelecer diretrizes para o uso de stablecoins e outros serviços de pagamento digitais.

O objetivo dessas discussões é criar regras mais claras para emissores e instituições financeiras. Caso avancem, essas iniciativas podem ampliar a participação de bancos e empresas tradicionais no setor.

Estimativas recentes também indicam forte crescimento no uso dessas moedas digitais. Em 2025, o volume global de transações com stablecoins teria alcançado cerca de US$ 33 trilhões, alta de aproximadamente 72% em relação ao ano anterior.

Entre os principais ativos, o USDC registrou cerca de US$ 18,3 trilhões em volume de transações, enquanto o USDT, emitido pela Tether, movimentou aproximadamente US$ 13,3 trilhões e permaneceu como a maior stablecoin em capitalização de mercado.

Com volumes crescentes e maior atenção institucional, analistas avaliam que as stablecoins podem assumir um papel relevante na infraestrutura financeira global ao longo da próxima década, especialmente em liquidações internacionais e pagamentos digitais.